Simpar (SIMH3) alcançou um lucro líquido ajustado de R$ 52 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), revertendo o prejuízo ajustado de R$ 42 milhões registrado no mesmo período do ano anterior (2T25). A holding, que congrega marcas como JSL, Movida, Vamos, Automob, CS Infra, CS Brasil e BBC Digital, celebrou seus 70 anos de fundação com resultados financeiros promissores, incluindo o menor índice de alavancagem financeira desde sua oferta pública inicial (IPO) em 2010.
A performance robusta do grupo Simpar neste trimestre reflete uma virada significativa, conforme detalhado na divulgação dos resultados nesta quarta-feira, dia 12. O avanço representa uma recuperação notável e demonstra a eficácia das estratégias adotadas pela administração, consolidando a posição do grupo no mercado.
Simpar (SIMH3) Apura Lucro Líquido Ajustado de R$ 52 Mi no 2T26
Esse marco financeiro coincide com um período de otimização e reestruturação interna, onde a Simpar superou expectativas e projeta uma trajetória de crescimento sustentável. Denys Ferrez, CFO da Simpar, ressaltou em entrevista ao InfoMoney a satisfação com a concretização das metas de monetização de ativos que vinham sendo comunicadas.
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Receita Consolidada e Desempenho Operacional
A receita bruta consolidada do grupo atingiu a marca de R$ 12,4 bilhões no 2T26, um incremento de 10% em comparação com o segundo trimestre de 2025. O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (EBITDA) Ajustado também apresentou uma elevação expressiva de 16%, totalizando R$ 3,4 bilhões, com uma margem de 30,1% sobre a receita líquida de serviços. A receita de serviços, métrica considerada prioritária pela Simpar, demonstrou um crescimento anual de 14%, alcançando R$ 9,5 bilhões.
Na perspectiva contábil, sem os ajustes, o lucro líquido atribuído aos controladores ainda registrou um montante negativo de R$ 189,5 milhões, o que representa uma reversão de perdas maiores que as observadas no primeiro trimestre de 2026. Contudo, ao desconsiderar os efeitos de marcação a mercado de derivativos vinculados à operação de aumento de capital – que não geram impacto no caixa – o lucro líquido consolidado das operações continuadas somou R$ 26,5 milhões no trimestre. O Retorno sobre Capital Investido (ROIC) produtivo, excluindo a BBC, atingiu 14,0% nos últimos doze meses, superando o custo de capital de terceiros em 1,9 ponto percentual.
Gestão da Dívida e Alavancagem Financeira
Um dos destaques do período foi a redução da relação Dívida Líquida/EBITDA para 2,8x, um patamar significativamente inferior aos 3,6x registrados no 2T25. Este é o menor índice alcançado pela Simpar desde sua abertura de capital em 2010, evidenciando uma melhoria operacional, maior eficiência na utilização dos ativos e um aumento de R$ 6,9 bilhões na estrutura de capital do grupo nos últimos doze meses, resultado da monetização de ativos e aportes de capital. Apesar dos avanços, o CFO Denys Ferrez pontuou a dinâmica da dívida líquida consolidada, argumentando que a soma reflete um risco maior do que o suporte adicional que uma holding deveria oferecer, dada a governança individual das subsidiárias. No âmbito da holding, a dívida líquida apresentou uma queda de 53% em relação ao ano anterior, situando-se em R$ 1,4 bilhão, com uma reserva de caixa robusta de R$ 4,6 bilhões, suficiente para cobrir os vencimentos até meados de 2031. O grupo também se dedicou à recompra de dívida bruta, abrangendo 35% do R$ 1 bilhão previsto, apesar de impactos no calendário devido a operações e divulgações de balanços.
Iniciativas Estratégicas e Captação de Recursos
Entre as iniciativas estratégicas do período, a Simpar sublinhou os aumentos de capital privado que ocorreram na própria holding, Movida e Vamos, somando R$ 3,0 bilhões. Essas operações foram finalizadas em maio, com a ancoragem da JSP Holding e do BNDESPar, que também exerceu sua opção de compra de 5% de participação na JSL. Ferrez expressou confiança no Brasil, mencionando a expectativa de um cenário mais estável para os ativos refletirem os resultados entregues, especialmente se as taxas de juros se mantiverem favoráveis. Além disso, o executivo comentou a venda da CS Porto Aratu, anunciada em julho, por um Enterprise Value de R$ 1,8 bilhão, com um Múltiplo sobre Capital Investido (MOIC) de 5,8x em 3,6 anos de investimento. Importante ressaltar que esta operação ainda não foi incorporada ao balanço do trimestre.
A Simpar (SIMH3) também se destacou por novas captações de recursos, totalizando R$ 2,7 bilhões no trimestre, com um custo médio de CDI + 2,5% e prazo médio de 6,3 anos. Posteriormente, em julho e agosto, foram captados mais R$ 2,0 bilhões, em condições ainda mais vantajosas, a CDI + 1,7%.
Resultados Detalhados das Subsidiárias do Grupo Simpar
JSL (JSLG3): A subsidiária de logística registrou uma receita bruta de serviços de R$ 2,9 bilhões, representando um aumento de 6,3% em comparação anual. O fluxo de caixa operacional após crescimento alcançou R$ 164 milhões no trimestre e R$ 861 milhões nos últimos 12 meses. A alavancagem da JSL também apresentou queda, chegando a 2,7x. O CFO mencionou que a decisão de um maior ‘churn’ de contratos foi seletiva, visando manter o equilíbrio nas relações contratuais, sem comprometer o volume já conquistado.
Imagem: infomoney.com.br
Movida (MOVI3): A empresa de locação de veículos alcançou um EBITDA recorde de R$ 1,7 bilhão, um crescimento de 22,3% ano a ano, e um lucro líquido de R$ 135,6 milhões, com alta de 100,7%, superando as projeções (guidance). A Movida projeta um lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões para o terceiro trimestre de 2026. Segundo o CFO, a busca incessante pela satisfação do cliente tem sido um fator crucial para esses resultados, permitindo um ajuste mais rápido em relação ao cenário macroeconômico.
Vamos (VAMO3): A companhia de locação de caminhões, máquinas e equipamentos reportou um lucro líquido de R$ 101,0 milhões, um aumento de 21,8% em relação ao ano anterior. A taxa de ocupação da frota se manteve em 89%, e a redução de retomadas de ativos foi notável, em 48,2%. A Vamos reiterou seu guidance de EBITDA entre R$ 3,75 bilhões e R$ 4,0 bilhões para 2026. O executivo destacou a entrada do novo CEO, Christian Hahn, e a inflexão positiva observada desde o ano passado, enfatizando que a nova liderança visa intensificar a execução de pontos relevantes do planejamento estratégico.
Automob (AMOB3): No setor de concessionárias, as vendas de veículos leves novos cresceram 14,3% ano a ano. Já no segmento de Caminhões e Ônibus, o aumento foi de 17,6%, em contraste com um mercado que apresentou retração de 2,7%. O Capital Expenditure (capex) da companhia teve uma redução significativa de 77% na comparação anual. O CFO indicou que a Automob ainda está em sua fase de curva de aprendizagem, com expectativas de atingir as metas a partir do próximo ano.
CS Infra: A receita líquida de serviços desta unidade de infraestrutura e concessões saltou 222,6% ano a ano, atingindo R$ 86,7 milhões. O EBITDA da CS Infra também cresceu exponencialmente, em 528,9%, chegando a R$ 47,8 milhões, impulsionado principalmente pela maturação de suas concessões rodoviárias.
BBC Digital: A fintech do grupo viu sua carteira de crédito expandir 28% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 2,7 bilhões. A inadimplência registrada pela BBC Digital permaneceu 1,0 ponto percentual abaixo da média de mercado, demonstrando solidez na gestão de riscos.
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Os resultados da Simpar no 2T26, com a reversão do prejuízo para um lucro líquido ajustado, evidenciam a resiliência e a assertividade das estratégias de gestão e monetização de ativos do grupo. Com as subsidiárias registrando performances sólidas e a alavancagem em seu menor nível histórico, a holding se posiciona para um futuro de crescimento sustentável. Para aprofundar a compreensão sobre o desempenho de grandes corporações e o cenário econômico atual, acesse nossa editoria de Economia e mantenha-se atualizado.
Crédito da imagem: Divulgação Simpar.