Neste sábado, 28 de fevereiro, a mídia estatal iraniana divulgou a confirmação da morte de Ali Khamenei, o líder supremo do Irã. O anúncio ocorreu após Estados Unidos e Israel terem executado o que foi descrito como a investida mais audaciosa contra alvos iranianos em várias décadas. Este evento marca um ponto de viragem significativo na já tensa dinâmica geopolítica da região.
Um alto funcionário israelense, em declaração anterior à agência Reuters, informou que o corpo do influente líder iraniano havia sido localizado depois dos ataques. Em Washington, o presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizou que os Estados Unidos colaboraram estreitamente com Israel para mirar no homem que esteve à frente do Irã desde o ano de 1989. As ações coordenadas sublinham a gravidade da operação e a determinação das nações envolvidas.
Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia sugerido publicamente que os ataques resultaram na morte de Khamenei. Em um apelo direto, Netanyahu conclamou os cidadãos iranianos a irem às ruas e “terminarem o serviço”, em uma clara incitação à desestabilização interna do regime. A declaração de Netanyahu foi acompanhada por afirmações sobre a existência de múltiplos indícios de que o aiatolá “não existe mais”, adicionando um tom de urgência e finalidade às informações iniciais.
Irã Confirma Morte de Ali Khamenei Após Ataques Coordenados
Netanyahu detalhou que o complexo de Ali Khamenei foi completamente destruído nas operações. Além disso, segundo o premiê israelense, os ataques teriam vitimado comandantes de alta patente da Guarda Revolucionária Iraniana e outros funcionários importantes envolvidos no programa nuclear do país. Em consonância com essas alegações, a mídia iraniana também noticiou que o genro e a nora de Khamenei teriam perecido durante as ofensivas, indicando a escala e o impacto dos ataques sobre a família do líder supremo.
Em um desdobramento subsequente e contraditório, ondas de ataques de retaliação foram registradas no mesmo sábado. Israel e diversos países do Golfo Pérsico foram atingidos por mísseis lançados pelo Irã. Os Emirados Árabes Unidos reportaram que ao menos uma pessoa perdeu a vida após ser atingida por destroços de mísseis. Paralelamente, a mídia estatal iraniana, em uma reviravolta na narrativa, citou uma fonte próxima ao gabinete de Khamenei, que categoricamente afirmou: “posso afirmar com confiança que o líder da revolução está firme e inabalável no comando da situação”, contradizendo as notícias anteriores sobre seu falecimento.
O governo iraniano classificou os ataques sofridos como “não provocados e ilegais”, prometendo uma resposta firme. A reação veio na forma de mísseis disparados não apenas contra Israel, mas também contra pelo menos outros sete países. Entre os alvos estavam os Estados do Golfo que abrigam bases militares americanas, escalando a tensão e envolvendo diretamente os interesses dos EUA na região. Essa série de eventos demonstra a volátil natureza do conflito e a rápida sucessão de ataques e contra-ataques.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que havia posicionado a operação como a “maior aposta em política externa de sua presidência”, apesar de se apresentar como um “presidente da paz” em sua campanha de reeleição, justificou os ataques. Segundo Trump, as ações visavam “acabar com a ameaça de um país que ameaça os Estados Unidos há décadas” e “garantir que o Irã não pudesse desenvolver uma arma nuclear”. A política externa americana sob Trump tem sido marcada por uma abordagem mais confrontacional com o Irã, como pode ser observado em análises sobre as relações diplomáticas entre as nações.
Imagem: infomoney.com.br
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais durante a madrugada, Trump também fez um apelo direto às forças de segurança iranianas para que depusessem suas armas. Além disso, convidou os iranianos a derrubarem seu governo, sugerindo um apoio a uma mudança de regime assim que o bombardeio cessasse. O presidente americano alertou sobre possíveis baixas americanas, embora o Departamento de Defesa dos EUA tenha emitido um comunicado horas depois, afirmando não ter registros de mortes ou feridos entre militares americanos. A ausência de fatalidades americanas, neste contexto, foi um alívio em meio à escalada militar.
Ali Khamenei assumiu a liderança suprema do Irã em 1989, sucedendo o aiatolá Ruhollah Khomeini. Desde então, ele tem navegado por um cenário complexo e desafiador. Durante seus 36 anos no poder, enfrentou sanções econômicas severas, orquestrou conflitos por procuração em diversas partes do Oriente Médio e reprimiu violentamente sucessivas ondas de protestos internos. Exemplos notáveis incluem as manifestações de 2022-2023 contra a obrigatoriedade do véu para mulheres, que trouxeram novamente à tona questões sobre a liberdade e os direitos civis no país.
Aos 86 anos de idade, o aiatolá já era alvo de especulações sobre sua sucessão, um tema que agora ganha centralidade na política iraniana. Khamenei, veterano da guerra contra o Iraque (1980-1988), é conhecido por sua postura reclusa; ele não viajou ao exterior desde que assumiu o cargo há mais de três décadas. Em 1981, Khamenei sobreviveu a uma tentativa de assassinato que resultou na paralisia de seu braço direito. Desde então, todos os seus deslocamentos são cercados por um sigilo rigoroso e um esquema de segurança extremamente pesado, refletindo a constante ameaça e a importância estratégica de sua figura para a estabilidade do regime.
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A confirmação inicial da morte de Ali Khamenei e as posteriores contradições e retaliações ilustram a volubilidade da situação no Irã e a complexidade das relações internacionais envolvendo potências como EUA e Israel. Para aprofundar seu conhecimento sobre os desdobramentos políticos e econômicos que impactam a região e o mundo, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Reuters