O cenário corporativo brasileiro em 2026 se encontra em um ponto de inflexão, onde a IA e saúde mental nas empresas estão remodelando a produtividade e a competitividade. Com o Brasil liderando os índices globais de ansiedade, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as companhias no país enfrentam uma pressão sem precedentes para reter profissionais com habilidades avançadas em inteligência artificial. Essa dinâmica é um dos destaques do novo estudo “ROI do Bem-Estar 2026”, que compilou informações de 1.500 líderes de RH em dez nações.
A pesquisa do Wellhub, conduzida com o apoio da plataforma QuestionPro entre 6 e 26 de janeiro de 2026, com 1.515 líderes de RH e benefícios corporativos, incluindo Brasil, EUA e outros oito países, revela que a rápida evolução da IA, aliada à crescente demanda por performance e à adoção de estruturas organizacionais mais enxutas, está transformando a percepção da saúde mental e do bem-estar. Estes elementos, antes vistos como meros benefícios, agora se posicionam no epicentro das estratégias de produtividade, retenção de talentos e sustentabilidade da performance corporativa. Participaram do levantamento profissionais em posições de liderança (C-level, vice-presidência, diretoria e gerência de RH), com uma amostra mínima de 150 respondentes por país, e os resultados possuem um nível de confiança de 95%, com margem de erro de 5%.
Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil, enfatiza que a convergência entre a incessante busca por performance e a deterioração da saúde mental deve se configurar como um dos mais cruciais desafios empresariais dos próximos anos. Isso se torna ainda mais evidente em um panorama onde as organizações dependem cada vez mais de talentos estratégicos para sustentar o crescimento, a adaptação tecnológica e a obtenção de resultados significativos. Os próximos 24 meses serão determinantes para a trajetória das empresas.
IA e Saúde Mental Redefinem Performance nas Empresas
Os Três Grupos de Empresas Brasileiras
A avaliação de Guerra, baseada no estudo, indica o surgimento de três distintos grupos de empresas brasileiras a partir da inflexão atual. A posição que cada companhia ocupará até 2028 será definida pelas suas ações nos próximos dois anos:
- As que se reinventam: Globalmente, 95% das empresas que mensuram o retorno sobre programas de bem-estar corporativo registram ROI positivo. Desse total, quase 25% reportam retornos acima de 100%, o que significa dois dólares de retorno para cada dólar investido. Essas organizações já enxergam o capital humano como um ativo no balanço, não apenas como uma despesa. Espera-se que entrem em 2028 com uma vantagem competitiva tangível em termos de retenção, produtividade e custos.
- As que ficam em uma zona cinzenta: Este grupo inclui empresas que reduziram suas estruturas em 2024 e 2025, impulsionadas pela automação, mas não investiram suficientemente no suporte aos times remanescentes. Tais profissionais agora lidam com a “culpa do sobrevivente” – o desgaste emocional e a sobrecarga silenciosa de quem permanece após grandes reestruturações. Como resultado, essas empresas começam a sentir os impactos em afastamentos, perda de talentos e queda de produtividade. No Brasil, 89% dos líderes de RH afirmam que as questões de saúde mental já elevam os custos organizacionais.
- As que ficarão para trás: São as organizações que persistem em tratar a saúde mental e o bem-estar como benefícios secundários, em vez de infraestrutura essencial para sustentar a produtividade, a retenção e a capacidade de adaptação em um ambiente cada vez mais pressionado pela IA. Em um cenário de crescente disputa por talentos estratégicos, empresas que falham em criar ambientes de trabalho mais sustentáveis correm o risco de perder exatamente os profissionais mais críticos para impulsionar a inovação, o crescimento e a competitividade. Os custos dessa desconexão já se manifestam em afastamentos, alta rotatividade (turnover), queda de engajamento e redução de performance, e tendem a se intensificar nos próximos anos.
O Cenário Brasileiro em Destaque
O estudo revela que o Brasil se posiciona acima da média global em praticamente todos os indicadores relacionados à pressão sobre talentos estratégicos, produtividade e saúde mental nas corporações. Esses resultados são ainda mais notáveis considerando o histórico do país com elevados índices de afastamentos, ansiedade, estresse e burnout no ambiente de trabalho. De fato, o Brasil é o país com maior número de pessoas ansiosas no mundo, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), um fator que se agrava no contexto corporativo. Saiba mais sobre os dados da OMS sobre ansiedade no Brasil.
Entre os dados mais impactantes para o Brasil, destacam-se:
- 98% das empresas brasileiras consideram a retenção de profissionais de alta performance uma prioridade em 2026, um índice dez pontos percentuais acima da média global de 88%.
- 74% dos líderes de RH no país expressam receio de perder colaboradores com habilidades em IA, incluindo automação de fluxos, engenharia de prompts e interpretação de resultados gerados por inteligência artificial. Globalmente, esse índice é de 62%.
- 89% afirmam que questões ligadas à saúde mental já aumentam os custos organizacionais, o maior índice entre os dez países pesquisados, superando significativamente a média global de 72%.
- 98% das empresas brasileiras reconhecem que programas de bem-estar elevam a produtividade (contra 91% globalmente); e 92% consideram o bem-estar fundamental para o sucesso financeiro da companhia.
- 95% relatam uma redução nos custos relacionados a benefícios de saúde após a implementação de programas estruturados de bem-estar.
Sobrecarga e a “Culpa do Sobrevivente”
O paradoxo da era da IA reside no fato de que, em vez de substituir o fator humano, ela está intensificando a sobrecarga sobre o indivíduo que permanece na empresa após as reestruturações motivadas pela automação. A automação em diferentes setores leva as empresas a operarem com estruturas mais enxutas e uma dependência maior de profissionais considerados estratégicos. Quem permanece absorve mais responsabilidades, maior pressão e, frequentemente, um peso emocional silencioso por ter ficado enquanto colegas foram desligados, fenômeno que psicólogos organizacionais denominam “survivor guilt” ou culpa do sobrevivente.
Juliano Ballarotti, General Manager do Wellz (plataforma de saúde emocional do Wellhub), aponta que o estresse crônico e o burnout são os fatores que mais comprometem a saúde mental dos colaboradores, mencionados por 23% dos entrevistados, seguidos por excesso de trabalho e expectativas irreais, com 21%. Ballarotti ressalta que ambos os fatores são 100% internos à organização e não dependem de macroeconomia, políticas públicas ou comportamento individual. Em vez disso, são reflexo de como o trabalho é estruturado dentro de cada empresa. Para ele, quando um colaborador busca priorizar sua saúde mental, não está optando por trabalhar menos, mas sim por encontrar condições para trabalhar melhor. O antigo modelo de comando e controle mostra-se cada vez mais ineficiente no cenário corporativo moderno. Quanto mais a tecnologia acelera a rotina, mais crucial se torna a criação de ambientes que permitam às pessoas manter o foco, o equilíbrio, a capacidade de reflexão e a saúde mental para tomar decisões assertivas.
Bem-Estar como Ativo Estratégico
O estudo demonstra que os programas de bem-estar transcenderam a categoria de mero benefício corporativo, passando a ser analisados sob a ótica de performance, produtividade e retorno financeiro. No Brasil, 98% dos líderes de RH afirmam que essas iniciativas auxiliam na retenção de talentos; 96% reconhecem que sustentam a produtividade e o desempenho; e 95% relatam uma redução direta nos custos com saúde. Adicionalmente, 98% indicam que as áreas financeiras exercem influência direta sobre decisões relacionadas à força de trabalho e aos benefícios corporativos.
No panorama global, 95% das empresas que monitoram indicadores de ROI sobre programas de bem-estar registram retorno positivo. Desse grupo, 75% reportam um ROI superior a 50%, e quase 25% apontam um retorno que ultrapassa 100%, equivalente a US$ 2 de retorno para cada US$ 1 investido. Ricardo Guerra reforça que, embora o futuro do trabalho seja cada vez mais tecnológico, o valor das pessoas aumentará, não diminuirá, na era da IA. A pressão por reter talentos estratégicos transformou o bem-estar em um ativo de balanço. As empresas que compreenderem isso primeiro serão as que conseguirão atrair e reter os melhores talentos por mais tempo.
O Wellhub e o Futuro do Trabalho
O Wellhub é uma plataforma de bem-estar corporativo que oferece a milhões de colaboradores acesso a programas de alto impacto, conectando-os a mais de 100 mil parceiros de fitness, meditação, terapia, nutrição e sono, por meio de uma única assinatura, cujo custo é geralmente inferior ao da contratação individual desses serviços. Quase 50 mil empresas em 18 países utilizam o Wellhub para promover engajamento e adesão em larga escala ao bem-estar, resultando em maior produtividade, retenção de talentos e redução de custos com saúde – o que a plataforma chama de “Efeito Wellhub”.
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Em suma, a pesquisa “ROI do Bem-Estar 2026” do Wellhub destaca uma transformação fundamental no ambiente de trabalho brasileiro, onde a intersecção entre o avanço da IA e a priorização da saúde mental se torna crucial para a sustentabilidade e competitividade das empresas. As organizações que souberem integrar o bem-estar como pilar estratégico estarão mais aptas a reter talentos e alcançar sucesso a longo prazo. Para aprofundar-se em análises sobre o cenário econômico e corporativo, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
Crédito da Imagem: Portal Melhor RH