O 2º Fórum Melhor RH Innovation concluiu suas atividades, focando em como a inovação no RH se alinha com a tecnologia e a comunicação interna para impulsionar projetos transformadores. O evento online, cujo objetivo foi “Aprender a pensar o novo”, dedicou seu segundo e último dia a discussões aprofundadas sobre esses pilares essenciais.
Márcio Cardial, diretor do Cecom – Centro de Estudos da Comunicação e publisher das plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, enfatizou que a inovação transcende a mera adoção tecnológica. Para Cardial, o conceito abrange transformação, liderança, cultura organizacional, desenvolvimento de competências, inteligência artificial e o futuro do trabalho. Contudo, o aspecto central reside na capacidade das organizações de efetuar escolhas conscientes em um cenário de mudanças cada vez mais aceleradas.
Fórum Innovation aborda desafios e futuro da inovação no RH
As discussões do Fórum, que exploraram as multifacetas da inovação aplicada à gestão de pessoas, foram estruturadas em painéis temáticos, cada um trazendo perspectivas valiosas de líderes e especialistas do mercado. O evento evidenciou a complexidade e a urgência de repensar as estratégias de Recursos Humanos diante de um ambiente corporativo em constante evolução, onde a capacidade de adaptação e a inteligência humana são cada vez mais valorizadas.
A Curadoria da Inovação: O Papel Estratégico do RH
O primeiro painel do dia, intitulado “Quem faz a curadoria da inovação? Nova competência para o RH exige olhar crítico para tendências e prioridades”, reuniu Fabiano Rangel, diretor Administrativo e Financeiro do Grupo Urca Energia; Renato Rovina, head de Recursos Humanos no BNP Paribas; e Vivian Broge, vice-presidente de Marketing e RH na TOTVS. Os especialistas debateram a necessidade de o RH atuar como um filtro estratégico. Diante de um volume crescente de ferramentas e da pressão gerada pela inteligência artificial, o desafio é discernir quais inovações realmente expandem a inteligência humana no trabalho, em vez de apenas sobrecarregar as equipes com complexidade desnecessária.
Os painelistas defenderam que inovar não se resume a implementar a tecnologia mais recente rapidamente, mas sim a edificar uma cultura organizacional madura, capaz de absorver e integrar essas mudanças de forma eficaz. Fabiano Rangel alertou que nem toda inovação corporativa resulta em maturidade para o negócio, podendo acelerar desorganizações se não houver um critério humano claro. Renato Rovina complementou, ressaltando que o RH precisa criar um filtro contra a “ansiedade da inovação”, assegurando que a tecnologia potencialize as equipes. Vivian Broge reforçou que a verdadeira inovação na gestão de pessoas envolve a estruturação da capacidade cultural e psicológica da empresa para abraçar a transformação.
Microinovações: Impacto Significativo de Pequenas Mudanças
Em seguida, o painel “Tamanho não é documento: Pequenas mudanças que geram impacto de valor” trouxe as contribuições de Juan Leymarie, head de Recursos Humanos na BDF Nívea; Mariana Dias, diretora de Gestão da Cultura e Pessoas no Banco do Brasil; e Simone Sá, head de Recursos Humanos na Clariant. Os participantes destacaram que transformações corporativas valiosas não dependem exclusivamente de orçamentos grandiosos ou projetos de larga escala.
Foram compartilhados insights sobre como ajustes minuciosos em processos diários e na gestão de rotinas podem gerar impactos substanciais em valor e engajamento. O consenso foi que a desburocratização de fluxos simples e a concessão de autonomia para as equipes testarem soluções ágeis no dia a dia são cruciais para consolidar uma cultura de experimentação constante. Leymarie afirmou que pequenos ajustes contínuos produzem enormes impactos no engajamento. Mariana Dias enfatizou que desburocratizar é a forma mais ágil de incentivar a experimentação, aproximando a cultura de inovação da realidade dos colaboradores. Simone Sá concluiu, sublinhando que dar autonomia para criar microsoluções ativa um valor cultural inestimável.
A Importância da Comunicação Simplificada para a Inovação no RH
O terceiro painel, com o tema “Um passo atrás para inovar: Comunicação simplificada em tempos de atenção saturada”, teve a participação de Carolina Ferreira, diretora de Recursos Humanos na Alelo; Elcio Trajano Junior, CHRO, diretor de RH, Sustentabilidade e Comunicação na Eldorado Brasil Celulose; e Renato Acciarto, diretor de Estratégia de Comunicação Corporativa e de Relações Institucionais da 2 Spread Comm. Os debatedores abordaram os desafios da comunicação interna em um contexto onde a atenção dos profissionais é constantemente saturada por estímulos digitais.
Argumentaram que, frequentemente, a atitude mais inovadora de uma liderança é simplificar radicalmente as mensagens, recuando do excesso de canais corporativos para focar no essencial. A sinergia direta entre o RH e a comunicação corporativa foi apontada como vital para construir diálogos transparentes e humanizados, garantindo a compreensão da estratégia empresarial sem ruídos. Elcio Trajano Junior defendeu a redução de canais digitais internos em prol da qualidade e humanização do diálogo. Carolina Ferreira pontuou que, com a atenção saturada, o ato mais inovador é focar em uma comunicação transparente. Renato Acciarto finalizou, destacando a sinergia entre gestão de pessoas e comunicação corporativa, afirmando que inovar pode significar um passo atrás para assegurar que o essencial seja ouvido.
Desafios do Trabalho Híbrido e Global na Gestão de Pessoas
O quarto painel, “Experiência fragmentada: Como gerar impacto positivo e construir cultura em times híbridos e globais”, contou com Sérgio Amad, CEO da Fiter; e Sheila Fideles Ceglio, People Experience Director na Pfizer. Eles analisaram as complexidades da gestão de equipes em ambientes de trabalho híbridos, remotos e geograficamente dispersos. Os participantes ressaltaram que a distância física fragmenta a experiência do colaborador, demandando que as empresas criem novos pontos de conexão psicológica e cultural que vão além das interações virtuais.
Imagem: melhorrh.com.br
A discussão enfatizou a necessidade de utilizar intencionalmente plataformas de colaboração, combinadas com momentos presenciais de alto valor prático, para manter o sentimento de pertencimento e a coesão da cultura organizacional. Sérgio Amad salientou que a tecnologia deve servir como ponte para unir equipes dispersas, mas a cultura exige intencionalidade humana diária. Sheila Fideles Ceglio complementou, afirmando que, para evitar o distanciamento psicológico em times globais, cada interação deve ser planejada com alto valor prático e acolhimento profundo. A aplicação da inovação no RH nesse contexto é crucial para manter a equipe engajada.
Saúde Emocional e os Limites da Inovação Contínua
O penúltimo painel, “Ansiedade e fadiga organizacional: O desgaste estrutural de querer inovar o tempo todo”, trouxe um alerta crítico. Participaram Simone Barbieri, H&S and IP Transformation HR Partner da Engie; Suzie Clavery, diretora de RH da TotalPass; e Tiago Mavichian, CEO & Founder na Companhia de Estágios. Os palestrantes abordaram o esgotamento decorrente da cobrança corporativa incessante por disrupção e modernização em tempo integral.
Explicaram que essa obrigação de inovar constantemente gera um desgaste estrutural profundo, que alimenta quadros severos de ansiedade, estresse e fadiga mental nas equipes. Os executivos reforçaram que o RH deve intervir ativamente para estabelecer limites saudáveis, promovendo o bem-estar psicológico e lembrando as organizações de que a inovação sustentável exige períodos de estabilização, descanso e consolidação de processos. Simone Barbieri destacou que a cobrança incessante por disrupção “adoece” os profissionais. Suzie Clavery alertou que o bem-estar mental é o pilar da produtividade. Tiago Mavichian enfatizou que a inovação sustentável necessita de pausas para que as equipes consolidem os novos processos.
Inteligência Artificial e Dados: A Revolução na Gestão de Pessoas
Finalizando o evento, o painel “RH em revisão: IA e gestão de dados aplicada para driblar a burocracia” contou com Claudia Giusti, diretora de Recursos Humanos Latam Total Rewards e Bem-Estar na HP; Mariana Malagutti, diretora de RH da Cia Tradicional de Comércio; e Tiene Colins, estrategista em IA na Interativa Learn. As painelistas expuseram as aplicações práticas de algoritmos de Inteligência Artificial e análise preditiva de dados no departamento de Recursos Humanos.
Foi demonstrado como a automatização inteligente consegue mitigar e absorver tarefas burocráticas, operacionais e repetitivas que historicamente travavam o setor. A conclusão foi que, ao delegar a carga burocrática para a tecnologia, os profissionais de gestão de pessoas ganham tempo e insumos analíticos para atuar de forma mais consultiva, focando em estratégias humanas de retenção de talentos e desenvolvimento de lideranças. Claudia Giusti enfatizou que a IA devolve ao profissional de RH o tempo para sua vocação humana. Mariana Malagutti ponderou que dados e automação fornecem a base para decisões justas e focadas nas pessoas. Tiene Colins finalizou, afirmando que a tecnologia no RH desata nós operacionais, permitindo que a liderança atue focada na retenção de talentos. Para compreender melhor o papel da tecnologia na otimização de processos, um estudo da Deloitte sobre Tendências Globais de Capital Humano oferece uma perspectiva aprofundada.
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O 2º Fórum Melhor RH Innovation consolidou-se como um marco importante para a discussão da inovação no RH, trazendo à tona as principais tendências e desafios para os profissionais da área. As palestras e debates reforçaram a visão de que o futuro do trabalho exige uma abordagem humana e estratégica, mesmo em meio à crescente digitalização. Para continuar explorando conteúdos relevantes sobre o universo corporativo e as últimas análises do mercado, convidamos você a navegar por nossa editoria de Análises.
Crédito da imagem: Portal Melhor RH