A babá brasileira Juliana Peres Magalhães foi condenada a 10 anos de prisão nos Estados Unidos. A sentença, proferida nesta sexta-feira, 13 de outubro, refere-se à sua participação na conspiração para o assassinato da mulher de seu empregador, que posteriormente se tornou seu amante, e de um segundo homem. O desfecho legal para Magalhães marca um ponto crucial em um caso que chocou a opinião pública devido à sua complexidade e aos detalhes dos crimes.
Inicialmente, os promotores haviam sugerido um acordo judicial que previa a libertação imediata de Juliana Peres Magalhães. Este pacto estava condicionado à sua confissão de culpa por uma acusação reduzida de homicídio culposo, especificamente pelo assassinato de Joseph Ryan, ocorrido em fevereiro de 2023. Segundo o testemunho da babá, ela teria atirado mortalmente em Ryan enquanto Brendan Banfield, seu cúmplice, esfaqueava sua esposa, Christine Banfield, no quarto do casal. Contudo, a juíza responsável pelo caso optou por aplicar a pena máxima permitida pela legislação à cidadã brasileira, rejeitando a proposta da promotoria.
Babá Brasileira Condenada a 10 Anos por Duplo Assassinato nos EUA
Dirigindo-se às famílias das vítimas durante a audiência de sentença, Juliana Peres Magalhães expressou seu remorso. “Sei que meu remorso não pode trazer paz a vocês”, disse ela. “Eu me perdi em um relacionamento e deixei meus valores morais para trás.” A juíza Penney S. Azcarate, do Tribunal de Circuito de Fairfax, demonstrou firmeza em sua decisão. “Vamos deixar claro: você não merece nada além da prisão e uma vida de reflexão sobre o que fez à vítima e à sua família. Que isso pese em sua alma”, declarou a magistrada, reiterando a gravidade dos atos cometidos pela babá brasileira.
Por um período de vários meses, Juliana Peres Magalhães manteve-se em silêncio sobre os acontecimentos. Somente após um longo tempo, ela concordou em colaborar com os promotores no processo legal contra Brendan Banfield, o ex-empregador e amante envolvido no caso. Banfield, um agente da Receita Federal dos EUA, havia sido condenado por um júri, no mesmo mês da sentença de Juliana, por homicídio qualificado, tanto pela morte de sua esposa, Christine, quanto pela de Joseph Ryan. A promotoria sustentou que o relacionamento extraconjugal entre Juliana e Banfield prosseguiu por diversos meses mesmo após a execução dos assassinatos.
Durante o julgamento, a babá brasileira Juliana Peres Magalhães detalhou a elaboração do plano macabro. Ela testemunhou que, em conjunto com Brendan Banfield, criaram um perfil em uma rede social voltada para fetiches sexuais, utilizando o nome de Christine, esposa de Banfield e enfermeira de terapia intensiva pediátrica. Joseph Ryan foi um dos usuários que se conectou a essa conta, aceitando um encontro que envolveria uma faca e a simulação de um estupro, conforme planejado pelo casal. Esse arranjo era uma peça central na trama que culminaria nas mortes.
No dia dos crimes, Juliana narrou que ela e Brendan Banfield levaram a filha de 4 anos do casal para o porão da residência, afastando a criança do cenário de violência iminente. Em seguida, dirigiram-se ao quarto principal, onde, segundo seu depoimento, Brendan Banfield disparou contra Joseph Ryan e começou a esfaquear sua esposa, Christine, na região do pescoço. A babá brasileira afirmou que, ao perceber Joseph Ryan ainda em movimento, ela própria efetuou o segundo disparo, que se revelou fatal para ele. A estratégia inicial elaborada pelos conspiradores era apresentar uma narrativa falsa às autoridades: Ryan seria retratado como o agressor, tendo estuprado e esfaqueado Christine, e Brendan, ao chegar em casa, teria agido em legítima defesa, atirando no homem para proteger sua mulher.
A prisão de Juliana Peres Magalhães ocorreu apenas oito meses após os acontecimentos. Ela permaneceu em silêncio, recusando-se a cooperar com os investigadores por mais de um ano. A mudança em sua postura e sua decisão de colaborar com a promotoria só se efetivaram quando a data de seu próprio julgamento se aproximava, sugerindo uma estratégia para influenciar sua própria situação legal. A defesa de Brendan Banfield, por sua vez, questionou a fundo os motivos da ex-babá durante o julgamento de seu cliente, argumentando que ela estaria apenas fornecendo o testemunho que os promotores desejavam ouvir, levantando dúvidas sobre a veracidade e a motivação de suas declarações.
No contexto do acordo judicial proposto, os advogados de Juliana e a promotoria haviam chegado a um consenso que visava encerrar o período da babá atrás das grades já na audiência de sentença. No entanto, essa parte do acordo foi expressamente rejeitada pela juíza do caso. Na Virgínia, onde os crimes ocorreram, o homicídio culposo é uma infração que pode ser punida com até 10 anos de prisão, o que justifica a pena máxima aplicada à babá brasileira. Para entender melhor como casos de conspiração são tratados dentro do sistema judicial americano, é útil consultar as diretrizes federais de justiça.
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A condenação de Juliana Peres Magalhães serve como um forte lembrete das complexidades e das graves consequências de crimes motivados por relacionamentos tumultuados e decisões morais questionáveis. Para se manter atualizado sobre casos jurídicos de relevância internacional e outros desenvolvimentos criminais, convidamos você a explorar mais conteúdos em nossa editoria de Cidades.
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