A segunda semana completa de 2026 promete ser movimentada no cenário econômico global. O foco principal recairá sobre os indicadores econômicos de atividade de novembro no Brasil e os cruciais dados de inflação nos Estados Unidos, que poderão balizar as decisões de política monetária.
No Brasil, a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e as vendas no varejo, além do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), oferecerão um panorama detalhado da economia. Internacionalmente, a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA serão observadas de perto pelos mercados.
Calendário Econômico: Prévia do PIB, Dados de Serviços no Brasil e Inflação nos EUA
Panorama Econômico Brasileiro
O Brasil concentra as atenções nos dados remanescentes de atividade econômica referentes a novembro. Na terça-feira, 13 de janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). A projeção para este indicador é de um crescimento modesto de 0,1% na variação mensal. É importante notar que eventos significativos ocorridos em novembro, como a COP30, podem introduzir uma dose de volatilidade inesperada nos resultados apresentados. Para mais informações sobre a PMS, consulte o site oficial do IBGE.
Ainda na agenda doméstica, a quinta-feira, 15 de janeiro, será marcada pela publicação dos dados de vendas no varejo, que deverão apresentar uma pequena elevação em comparação com o mês de outubro. Encerrando a semana de divulgações econômicas, na sexta-feira, 16 de janeiro, o Banco Central (BC) tornará público o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), um indicador de grande relevância por funcionar como uma prévia ou proxy para o Produto Interno Bruto (PIB) mensal.
Inflação e Cenário Político
Em relação à inflação no Brasil, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de janeiro será divulgado também na sexta-feira, 16 de janeiro. A expectativa é de um aumento mensal de 0,20%, um incremento em relação aos 0,04% registrados em dezembro. Essa variação projetada elevaria a taxa anual para -1,1%, comparado aos -0,7% do mês anterior. O Itaú, em sua análise, aponta que o resultado de dezembro ficou em linha com suas projeções, com alta de 0,21% no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) industrial e uma queda de 0,70% no IPA agrícola, impulsionada principalmente pela retração nos preços de produtos como leite, café, tomate e laranja.
No âmbito político, o recesso parlamentar em Brasília persiste na próxima semana, o que naturalmente desacelera o ritmo das atividades legislativas. Contudo, o recesso do Ministro da Fazenda chegará ao fim, prometendo reacender os debates econômicos no Poder Executivo. Além disso, veículos de comunicação têm reportado que o Presidente da República deverá nomear, já na próxima semana, o novo Ministro da Justiça e Segurança Pública, após a recente demissão do titular anterior.
Destaques da Agenda Internacional
Nos Estados Unidos, a atenção estará voltada prioritariamente para os dados de inflação. Na terça-feira, será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a dezembro. Na quarta-feira, serão publicados os resultados das vendas no varejo e o Índice de Preços ao Produtor (PPI), ambos relativos a novembro. O PPI possui relevância crucial por compor parte do cálculo do Índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal (PCE), a métrica preferencial utilizada pelo Federal Reserve para monitorar o comportamento inflacionário.
As vendas no varejo, por sua vez, servirão como um termômetro importante para avaliar o ritmo da atividade econômica no final de 2025, um fator determinante para as decisões a serem tomadas na próxima reunião de política monetária, agendada para o fim de janeiro. Paralelamente, o mercado financeiro continuará a monitorar de perto os desdobramentos geopolíticos das recentes ações americanas e possíveis indicações sobre a futura presidência do Federal Reserve, conforme avalia o Bradesco.
Imagem: infomoney.com.br
Radar Corporativo: Camil (CAML3)
No noticiário corporativo, a Camil (CAML3) tem previsão de divulgar seus resultados do 3º trimestre de 2025 em 14 de janeiro. A expectativa do mercado é de uma melhora em relação à base de comparação pressionada do ano anterior. O principal fator negativo que continua a influenciar a empresa é a persistente queda dos preços do arroz, que recuaram expressivos 49% na comparação anual e 13% na trimestral, de acordo com análise do BTG Pactual.
Ao ajustar os números pela ausência de exportações de açúcar no período analisado, os volumes de produtos de alto giro devem apresentar um crescimento, alcançando 328 mil toneladas. A receita projetada para o Brasil é estimada em R$ 1,95 bilhão, com um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 165 milhões e uma margem de 8,4%. No segmento internacional, os volumes também devem crescer, com projeção de 25% anualmente, mas essa expansão é acompanhada por uma queda relevante nos preços, o que pressiona a receita.
No consolidado, as projeções indicam receitas de R$ 2,7 bilhões e um EBITDA de R$ 226 milhões, resultando em uma margem de 8,3%. O BTG Pactual ressalta que os preços do arroz estão em patamares considerados economicamente insustentáveis para os produtores, operando abaixo do custo variável estimado. Diante desse cenário, espera-se uma redução da área plantada e da produção, visando reequilibrar a oferta e sustentar preços mais elevados no futuro.
Agenda Detalhada da Semana
A semana apresenta uma série de indicadores importantes que merecem atenção:
- Segunda-Feira, 12/01: No Brasil, serão divulgados o IPC (semanal) da FIPE, a 1ª prévia do IGP-M (jan) pela FGV, o Relatório Focus semanal do BCB e a Balança Comercial semanal pela Secex.
- Terça-Feira, 13/01: O IBGE publicará a Pesquisa Mensal de Serviços (nov) no Brasil. Nos EUA, a principal divulgação será o Índice de Preços ao Consumidor (dez).
- Quarta-Feira, 14/01: O IBGE apresentará a Pesquisa Industrial Mensal Regional (nov) no Brasil, e o BCB, o Fluxo Cambial (semanal). Nos EUA, saem o Índice de Preços ao Produtor (nov) e as Vendas no Varejo (nov).
- Quinta-Feira, 15/01: No Brasil, a FGV divulgará a Sondagem do Mercado de Trabalho (dez) e o IBGE, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (dez) e a Pesquisa Mensal de Comércio Ampliada (nov). Nos EUA, serão liberados os Pedidos de Auxílio-Desemprego (semanal), o Índice Empire Manufacturing de atividade (jan) e o Índice de atividade do Fed Filadélfia (jan).
- Sexta-Feira, 16/01: Para o Brasil, estão programados o IGP-10 (jan) e o IPC-S (semanal) da FGV, além do Índice IBC-Br de atividade econômica (nov) pelo BCB. Na Alemanha, o Índice de Preços ao Consumidor (dez) e nos EUA, a Produção Industrial (dez).
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Em suma, a próxima semana será crucial para entender as tendências econômicas tanto no cenário nacional quanto internacional, com uma enxurrada de dados de atividade e inflação que poderão reorientar as expectativas do mercado e as estratégias de política econômica. Continue acompanhando nossa editoria de Economia para não perder nenhuma atualização e aprofundar seu conhecimento sobre os desdobramentos financeiros. Para mais informações sobre o panorama econômico, acesse nossa seção de Economia.
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