Comunicação Estratégica da Sparta: Pilar em Crises Financeiras

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Em um cenário de forte instabilidade para o mercado brasileiro em dezembro de 2024, quando os preços dos fundos de infraestrutura registravam quedas expressivas, entre 10% e 15%, a comunicação estratégica da Sparta Investimentos se destacou como um pilar fundamental. Diante da turbulência, a equipe da gestora adotou uma medida incomum: em uma sexta-feira, dia 29 de dezembro, às seis da tarde, realizou uma transmissão ao vivo para dialogar diretamente com seus cotistas. O presidente da Sparta, Ulisses Nehmi, revelou a motivação por trás da iniciativa: “Vamos fazer uma live para avisar o pessoal que o que está acontecendo é isso. Fiquem tranquilos, a gente está no controle da situação”, explicou.

O impacto dessa abordagem foi imediato e significativo. O vídeo da transmissão tornou-se um dos mais assistidos no canal da Sparta, com picos de visualização registrados entre o final de dezembro e o primeiro dia de janeiro, período em que a maioria dos investidores costuma estar em recesso. Segundo Nehmi, essa transparência resultou em uma rápida recuperação. Em 2025, os fundos apresentaram um desempenho que ele classificou como “extraordinário”, evidenciando uma retomada relevante nas cotas e consolidando a confiança dos investidores na gestão da casa.

A experiência da gestora foi detalhada durante o programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo, e reforça um dos princípios que Nehmi considera essenciais para o êxito da Sparta, que atualmente administra um montante de R$ 22 bilhões. Para o executivo, a comunicação é um diferencial decisivo, especialmente em momentos de dificuldade. O presidente da Sparta traçou um paralelo: “A hora que o investidor mais precisar de você é aquela hora mais difícil, é a hora que dá vontade em muita gente de se esconder. Naquela hora, o capitão do barco tem que estar lá”, comparou. Esse engajamento direto e proativo é o cerne da estratégia que garantiu a superação da crise.

Comunicação Estratégica da Sparta: Pilar em Crises Financeiras

A mesma premissa de transparência e proatividade aplica-se a situações de crise de crédito. Nehmi utilizou o caso da Americanas (AMER3) para ilustrar como o pânico generalizado pode distorcer a percepção de risco real. Ele explicou que, enquanto um investidor individual com ações da Americanas pode ter enfrentado uma perda de 80% em sua carteira pessoal, um fundo com apenas 1% de exposição à empresa pode ter registrado uma perda de 0,8%. “São coisas completamente diferentes”, salientou. Para o gestor, é imperativo que o responsável pela carteira seja o primeiro a contatar o investidor, apresentar cenários realistas e expor a verdadeira dimensão do problema.

Na prática, a estratégia de comunicação da Sparta se materializa em números expressivos: a gestora realiza cerca de 300 reuniões mensais com distribuidores e investidores, além de produzir relatórios com linguagem direta e manter uma presença constante em eventos setoriais. Embora Ulisses Nehmi não tenha especificado um percentual exato sobre a influência da comunicação nos resultados da gestora, ele reconhece sua relevância e a estabelece como uma diretriz para toda a equipe, composta por 40 profissionais. “Ulisses está aqui, ele é só o porta-voz. Tem 40 pessoas lá, só na gestão são 15, debruçadas, fazendo conta pra caramba”, enfatizou o CEO, destacando o esforço coletivo por trás das decisões.

A clareza é uma preocupação notável também na elaboração dos relatórios da Sparta. A prioridade é a redução de jargões financeiros, optando por uma linguagem mais acessível. “O resto é linguagem que todo mundo consegue entender”, afirmou Nehmi. Lucas Collazo corroborou a excelência da gestora nesse aspecto, declarando: “Eu cito vocês como referência no tema entre as gestoras do Brasil. Vocês fazem muito bem o antes, o durante e o depois da venda, sempre perto do cliente.” Essa abordagem proativa e focada no cliente diferencia a Sparta no mercado.

Apesar do reconhecimento atual, a Sparta nem sempre operou com a mesma filosofia. Nehmi confessou que o primeiro fundo da casa, o Sparta Cíclico, alcançou um rendimento superior a 200% em 2007, sendo um sucesso inicial. Contudo, o produto foi desenvolvido com base na lógica do gestor, sem considerar as necessidades reais dos clientes. Hoje, esse fundo administra um patrimônio de apenas R$ 30 milhões. “Ainda bem que a gente não ficou dependendo desse fundo para pagar os boletos, porque provavelmente a gestora não teria dado certo”, admitiu o presidente da Sparta.

Comunicação Estratégica da Sparta: Pilar em Crises Financeiras - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

A verdadeira transformação da Sparta ocorreu quando a equipe reorientou seu foco, passando a questionar os investidores sobre suas demandas, em vez de simplesmente oferecer o que sabiam fazer. O CEO ilustrou a mudança com uma analogia simples: “Tem aquele brinquedinho com o buraquinho redondo, o triangular e o quadrado. Não dá para enfiar a pecinha errada no buraco errado. É mais simples que isso: o cliente quer algo, você tem que entregar aquilo”. Um dos exemplos mais inovadores dessa filosofia é o fundo batizado de “pré mais proteção”.

O fundo “pré mais proteção” mantém uma posição prefixada por dois anos. No entanto, se o Banco Central iniciar um ciclo de alta nos juros, o fundo automaticamente migra para uma estratégia pós-fixada, utilizando contratos de juros futuros. “Se o trem estiver vindo, você sai da frente”, resumiu Nehmi, destacando a agilidade e a segurança do mecanismo. Este produto é isento de imposto de renda e atrai investidores ao combinar o ganho típico de um prefixado com uma baixa oscilação — entre 2% e 3% ao ano —, evitando as quedas bruscas que frequentemente ocorrem em períodos de aperto monetário. Para mais detalhes sobre o mercado de ações e como crises impactam investidores, confira informações no Valor Econômico.

A mesma lógica de adequação ao investidor guiou a sequência de lançamento dos fundos de infraestrutura da Sparta. Enquanto o mercado já dispunha majoritariamente de papéis atrelados à inflação de longo prazo, a Sparta inovou ao lançar, inicialmente, um fundo de inflação curta e, posteriormente, um pós-fixado. Somente o terceiro fundo seguiu o padrão de mercado. “A gente entende que os outros dois eram um começo melhor para o investidor, com uma relação de retorno e risco mais ajustada”, justificou Nehmi. Atualmente, os dois primeiros fundos somam R$ 5 bilhões em gestão, evidenciando o sucesso dessa estratégia diferenciada.

Para Lucas Collazo, o mercado brasileiro de gestão de ativos está vivenciando uma transformação. O modelo tradicional, em que gestores brilhantes vendiam suas convicções sem considerar as necessidades do cliente, está perdendo espaço. Ele citou o caso de grandes investidores institucionais que buscam fundos de ações com baixa descolagem do Ibovespa, uma demanda historicamente ignorada pela indústria. “Se rendeu muito acima do índice, parabéns. Mas se ficou muito abaixo, esse profissional é demitido”, explicou Collazo. No segmento de varejo, embora as dores sejam diferentes, a lógica permanece: o investidor almeja um retorno razoável, menor tributação e, sobretudo, nenhuma surpresa negativa. Ao final da entrevista, Nehmi sintetizou, com bom humor: “Eu gosto mesmo é de renda fixa, cara, não de crédito.”

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A história da Sparta Investimentos, contada por Ulisses Nehmi, reforça que a transparência e uma comunicação estratégica alinhada às necessidades do cliente são vitais para a solidez e o sucesso no mercado financeiro, especialmente em momentos de crise. Para se aprofundar em mais análises sobre gestão de ativos e estratégias de investimento, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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