O Dólar Hoje registrou uma queda significativa de 1,10% em relação ao real brasileiro, finalizando as negociações desta quarta-feira (21) cotado a R$ 5,32. Essa desvalorização da moeda norte-americana foi impulsionada principalmente por um robusto fluxo de investimentos estrangeiros direcionado à bolsa de valores brasileira. Paralelamente, o mercado cambial repercutiu as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que influenciaram a dinâmica internacional.
A performance do dólar à vista marcou sua menor cotação de fechamento desde 4 de dezembro do ano anterior, quando a divisa alcançou R$ 5,3103. No fechamento, o valor específico foi de R$ 5,3209. No decorrer do ano de 2026, o dólar acumula uma desvalorização de 3,06%, refletindo uma tendência de enfraquecimento em relação à moeda brasileira. Na terça-feira anterior, o dólar havia fechado em alta de 0,29%, cotado a R$ 5,3802, indicando uma virada no cenário cambial.
Dólar Hoje Cai para R$ 5,32 com Fluxo Externo e Cenário Político
No cenário internacional, as falas de Donald Trump sobre a Groenlândia foram um ponto de atenção para os investidores. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente norte-americano revisitou a ideia de aquisição do território dinamarquês, classificando como um erro a decisão dos Estados Unidos de devolvê-la à Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, as declarações geraram tensões, mas o tom de Trump abrandou ao longo do dia, quando ele descartou publicamente o uso da força para tal aquisição. “As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força”, afirmou, reiterando que “não usaria a força”.
Essa postura mais conciliadora de Trump teve um impacto duplo no mercado de câmbio. Em relação às principais divisas globais, como o euro e o franco suíço, o dólar recuperou parte de sua força, revertendo a aversão a ativos norte-americanos observada nos dias precedentes. Contudo, frente às moedas de economias emergentes, incluindo o real brasileiro, o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, o dólar registrou baixas significativas, consolidando o viés negativo em mercados em desenvolvimento.
A força da economia brasileira também contribuiu decisivamente para a queda do dólar. Profissionais do mercado financeiro, ouvidos pela Reuters, destacaram o expressivo fluxo de capital estrangeiro para a bolsa de valores brasileira. Esse movimento impulsionou o Ibovespa a superar, pela primeira vez em sua história, a marca dos 170 mil pontos durante a tarde, sinalizando otimismo dos investidores internacionais com os ativos nacionais.
Adicionalmente, a diminuição nos rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro americano, aliviou a pressão de compra do dólar no Brasil, beneficiando a moeda nacional. Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, comentou pela manhã que essa dinâmica, combinada com o fluxo contínuo para a bolsa, estava ampliando a oferta de dólares no mercado doméstico. Essa conjuntura levou o dólar a ceder durante toda a sessão, atingindo a mínima diária de R$ 5,3161 (-1,19%) às 16h32, próximo ao encerramento dos negócios.
Os dados divulgados pelo Banco Central do Brasil corroboraram a percepção de forte entrada de recursos no país. Até o dia 16 de janeiro, o fluxo cambial total estava positivo em US$ 1,544 bilhão. A via financeira, em particular, foi a principal responsável por esse desempenho, acumulando entradas líquidas de quase US$ 3 bilhões no ano. Somente na sexta-feira, dia 16, o canal financeiro registrou uma entrada de US$ 1,674 bilhão, demonstrando o vigor do apetite estrangeiro por ativos brasileiros. Para informações detalhadas sobre as movimentações cambiais, o Banco Central do Brasil oferece dados públicos.
Imagem: Prakash Singh via infomoney.com.br
O cenário político interno também esteve no radar dos investidores, embora sem efeitos diretos no câmbio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou uma visita agendada para quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em Brasília. Esse cancelamento gerou incertezas sobre as articulações da direita para as eleições de outubro. A possibilidade de Tarcísio se candidatar à Presidência foi enfraquecida após Bolsonaro declarar apoio ao seu filho Flávio, senador pelo PL. No entanto, Tarcísio ainda é considerado o nome preferido do mercado financeiro da Faria Lima.
Uma pesquisa da Atlas divulgada pela manhã indicou que o ex-presidente Lula mantém uma liderança confortável em todos os cenários de primeiro turno para as eleições e também nas simulações de segundo turno. Em outra frente, mas sem impacto direto no câmbio, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, empresa controlada pelo Banco Master, que também já se encontrava em processo de liquidação.
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Em resumo, a queda do dólar a R$ 5,32 reflete uma complexa interação de fatores, desde o aumento do otimismo de investidores estrangeiros no mercado brasileiro até as nuances das declarações de lideranças políticas internacionais. Acompanhe nossa editoria de Economia para ficar por dentro das últimas notícias e análises que impactam o cenário financeiro.
Crédito da imagem: Estadão Conteúdo