O dólar hoje registrou uma queda expressiva frente ao real, fechando abaixo dos R$ 5,20, em uma sessão marcada por um robusto fluxo de investimentos em direção aos mercados emergentes, com o Brasil se destacando neste cenário. A desvalorização da moeda norte-americana no exterior foi um dos principais catalisadores para este recuo observado no mercado doméstico nesta segunda-feira.
Enquanto o Ibovespa avançava mais de 1%, o dólar à vista encerrou o dia com uma baixa de 0,59%, fixando-se em R$ 5,1886. Este patamar representa o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando a divisa norte-americana havia terminado o pregão cotada a R$ 5,1539. Com este desempenho, a moeda acumula uma desvalorização de 5,47% no acumulado do ano, refletindo uma tendência de fortalecimento do real.
Dólar Hoje Recua a R$ 5,18 com Fluxo de Investimento Forte
A dinâmica de baixa se estendeu também ao mercado futuro. Às 17h03, o contrato de dólar futuro com vencimento em março, o mais líquido negociado na B3, registrava uma desvalorização de 0,61%, sendo cotado a R$ 5,2105. Este movimento reflete a percepção dos investidores sobre as perspectivas de curto prazo para a moeda, influenciadas tanto por fatores internos quanto externos.
No cenário internacional, a moeda norte-americana exibiu um recuo acentuado frente a diversas divisas. Contra o iene japonês, o dólar registrou baixas firmes, em resposta à vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. Similarmente, o dólar perdeu terreno ante o euro e a libra esterlina, enquanto os mercados aguardam a divulgação de dados cruciais sobre varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos, previstos para serem anunciados ao longo da semana.
A tendência de desvalorização do dólar não se limitou às grandes economias. A moeda também operou em queda significativa contra as divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, com o real acompanhando de perto essa tendência global de fortalecimento das moedas de mercados em desenvolvimento.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comentou sobre o panorama que impulsionou a queda do dólar, destacando a predominância de fatores externos. “O dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, explicou Shahini em nota. Além disso, o especialista apontou que um ambiente internacional favorável ao risco, caracterizado pela alta das bolsas de valores nos Estados Unidos, Europa e Japão, tem oferecido suporte generalizado às moedas emergentes, com o real brasileiro em posição de destaque.
Em um movimento paralelo que também contribuiu para o cenário de valorização do real, o Tesouro Nacional anunciou, na manhã desta segunda-feira, a emissão de títulos em dólares no mercado internacional. A operação incluiu um novo benchmark de dez anos, com vencimento em 2036, e uma captação adicional por meio de títulos de 30 anos, denominados Global 2056.
De acordo com informações do serviço financeiro IFR, o Brasil conseguiu captar um montante total de US$ 4,5 bilhões. Desse valor, US$ 3,5 bilhões foram provenientes dos papéis com vencimento em 2036, enquanto US$ 1,0 bilhão foi captado pelos títulos de 2056. Esta estratégia de captação em moeda estrangeira sinaliza uma busca por recursos no mercado externo e pode impactar a liquidez interna de dólares.
Tradicionalmente, a expectativa é que essa nova emissão de títulos do Tesouro abra uma “janela” para que empresas brasileiras também realizem captações internacionais. Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, ressaltou que tal cenário reforça a perspectiva de entrada de mais dólares no país, pressionando a cotação da moeda para baixo. Rugik utilizou a expressão “contra o fluxo não há argumentos” para descrever a força dessa tendência, não descartando a possibilidade de o dólar se enfraquecer ainda mais no curto prazo, aproximando-se da marca de R$ 5,00.
Ao longo do dia, o dólar à vista demonstrou flutuações. Após atingir a cotação máxima de R$ 5,2129, com uma leve queda de 0,13%, às 9h08, pouco após a abertura do pregão, a moeda inverteu a rota e alcançou a mínima de R$ 5,1748, representando uma desvalorização de 0,85%, às 13h02.
Em um evento realizado em São Paulo pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordou a política monetária, enfatizando que a palavra-chave para o momento atual do ciclo é “calibragem”, termo que classificou como essencial. Galípolo defendeu que a previsão de cortes nos juros não deve ser interpretada como um “volta da vitória”.
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“A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros). Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajuste”, afirmou o presidente do BC, sinalizando cautela na condução da política monetária. Para mais detalhes sobre as comunicações do Banco Central, visite o site oficial do Banco Central do Brasil.
No final de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optou por manter a taxa básica de juros, a Selic, no patamar de 15% ao ano. No entanto, o comitê sinalizou uma intenção de iniciar cortes na Selic a partir de março, gerando discussões no mercado sobre a magnitude desse primeiro corte, que pode ser de 25 ou 50 pontos-base.
A diferença nas taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos tem sido apontada como um dos fatores atrativos para investimentos no país. Enquanto a taxa de referência nos EUA atualmente se situa na faixa de 3,50% a 3,75%, o diferencial brasileiro, ainda elevado, impulsiona a entrada de capital estrangeiro, contribuindo para a manutenção do dólar em patamares mais baixos nos últimos meses.
O Boletim Focus, divulgado no início do dia, apresentou a mediana das projeções dos economistas de mercado para o dólar no final de 2025, que permaneceu em R$ 5,50, indicando expectativas de longo prazo sobre a trajetória da moeda.
Em outra frente de atuação, o Banco Central realizou, no fim da manhã, a venda de 50.000 contratos de swap cambial, com o objetivo de realizar a rolagem do vencimento de março. Essas operações são ferramentas importantes para a gestão da liquidez e do câmbio no mercado nacional.
Por fim, o índice do dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes globalmente, registrava uma queda de 0,81%, sendo cotado a 96,814 às 17h07, reforçando a tendência de enfraquecimento global do dólar.
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Em suma, a queda do dólar hoje reflete uma combinação de fatores externos, como o fluxo de investimentos para emergentes e a desvalorização global da moeda, e movimentos internos, como a emissão de títulos do Tesouro e as expectativas em relação à política monetária. Para se manter atualizado sobre as últimas tendências do mercado financeiro e análises econômicas, continue explorando nossa editoria de Economia no blog Hora de Começar.
Crédito da Imagem: Reuters