Enel CEO: “Só Jesus” Resolve Apagões em SP com Queda de Árvores

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O CEO da Enel, Flavio Cattaneo, gerou controvérsia ao afirmar que “só Jesus” resolveria a persistência de apagões em São Paulo, atribuindo o problema à queda de árvores sobre a rede elétrica. A declaração foi feita em 23 de outubro, durante um evento para investidores e analistas de mercado em Milão, Itália, onde a empresa italiana, alvo de intensas críticas pelos serviços de distribuição de energia na capital paulista, se reuniu para discutir o cenário atual e futuro.

Cattaneo enfatizou que, do ponto de vista humano, a Enel tem empreendido todos os esforços possíveis para restaurar o fornecimento de energia rapidamente após as interrupções. Contudo, ele argumentou que a singularidade da rede de distribuição paulista, majoritariamente aérea e com fiação passando entre árvores, somada à crescente frequência de tempestades e ventos fortes decorrentes das mudanças climáticas, cria um cenário onde evitar apagões torna-se humanamente impossível. “Se permanecer esse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só tem um capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível de outro jeito evitar o apagão”, declarou o executivo.

Enel CEO: “Só Jesus” Resolve Apagões em SP com Queda de Árvores

Apesar do cenário desafiador e da insatisfação pública, Cattaneo reiterou a intenção da Enel de não vender suas operações em São Paulo. O CEO reconheceu que a queda de árvores sobre a fiação retarda significativamente os trabalhos de reparo e restabelecimento do serviço. No entanto, ele ressaltou que a questão dos apagões não deve ser vista como um problema exclusivo da Enel, mencionando a responsabilidade da Prefeitura de São Paulo pela poda de árvores.

O executivo também abordou a questão do tempo necessário para a implementação de investimentos aprovados, destacando que esse prazo nem sempre se alinha com as expectativas da população. Ele sugeriu que, especialmente em anos eleitorais, a discussão sobre os apagões tende a se intensificar, com nenhum agente político desejando ser associado diretamente ao problema. Essa perspectiva sublinha a complexidade da gestão da infraestrutura elétrica em grandes centros urbanos, onde a infraestrutura existente e os fatores ambientais interagem com a pressão política e a demanda social por serviços eficientes.

Investimentos Estratégicos e Desafios Operacionais

Em janeiro do ano anterior, a Enel havia anunciado um robusto plano de investimentos no Brasil, totalizando cerca de R$ 25,3 bilhões. Desse montante, R$ 24 bilhões foram destinados especificamente ao setor de distribuição de energia, representando um aumento de 62% em comparação com o plano de investimentos anterior da companhia. Os recursos foram direcionados para as distribuidoras nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, com o objetivo de fortalecer a presença da empresa e modernizar a infraestrutura da rede elétrica nessas importantes regiões do país. A iniciativa visa aprimorar a resiliência e a qualidade do fornecimento de energia, em resposta às crescentes demandas e aos desafios operacionais enfrentados.

A necessidade desses investimentos foi evidenciada por incidentes recentes de grande repercussão. Em 3 de novembro de 2023, a capital e a região metropolitana de São Paulo foram atingidas por fortes chuvas e ventos superiores a 100 quilômetros por hora, resultando na queda de inúmeras árvores, deslizamentos de terra e um comprometimento generalizado da rede elétrica. Mais de 2,1 milhões de clientes ficaram sem luz, e o restabelecimento total do serviço levou quase uma semana. Pouco mais de um mês depois, em 10 de dezembro do mesmo ano, um novo vendaval deixou mais de 2,2 milhões de clientes da Enel na Grande São Paulo sem energia, com a normalização em muitas áreas estendendo-se por mais de cinco dias. Esses eventos sublinham a vulnerabilidade da infraestrutura existente diante de fenômenos climáticos extremos.

Diálogo com Autoridades e Melhorias Apresentadas

Em resposta às críticas e buscando soluções, o departamento jurídico da Enel e sua subsidiária brasileira apresentaram às autoridades as melhorias implementadas pela empresa em São Paulo. De acordo com o CEO, essas ações resultaram em uma recuperação de 50% na qualidade do serviço na capital paulista no último ano. Como prova, Cattaneo citou a redução no índice de Tempo Médio de Atendimento (TMA) da concessionária, que caiu de 832 minutos registrados em 2022 para 434 minutos em 2023, indicando uma maior agilidade na resolução de problemas e no restabelecimento do fornecimento de energia. Ele expressou sua crença na importância do diálogo com as autoridades para encontrar uma “solução final” que possa evitar a recorrência de problemas como os apagões.

Além disso, o executivo informou que as negociações para a prorrogação das concessões de distribuição de energia tanto no Ceará quanto no Rio de Janeiro, estados onde a Enel também detém operações, estão praticamente concluídas. Esta informação sugere um avanço nas relações regulatórias da empresa em outras regiões brasileiras, contrastando talvez com a tensão observada em São Paulo. A Enel também anunciou planos de investimentos globais para os próximos três anos, com foco ampliado em energias renováveis, particularmente na Europa e nos Estados Unidos, mercados considerados de ambiente regulatório mais estável e previsível para o grupo.

O grupo, que é controlado pelo governo italiano, planeja investir 53 bilhões de euros (equivalente a US$ 63 bilhões) no período entre 2026 e 2028. Metade desse montante será destinada ao fortalecimento e modernização das redes de energia, enquanto aproximadamente 38% dos recursos serão aplicados em projetos de geração de energia renovável. Para a América Latina, a Enel projeta um investimento de cerca de 9 bilhões de euros, distribuídos em países como Brasil, Colômbia e Chile. Embora a companhia não tenha detalhado os valores exatos para cada nação, o Brasil é esperado receber a parcela mais relevante devido ao tamanho e à importância estratégica de suas operações na região. O CEO destacou que o grupo busca uma estrutura “mutuamente justa” na região, conciliando a sustentabilidade de investimentos significativos com retornos “justos e visíveis”. Paralelamente, a empresa anunciou um programa de recompra de ações no valor de 1 bilhão de euros, com previsão de término até o fim de julho, demonstrando confiança em seu desempenho financeiro e estratégico.

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As declarações do CEO da Enel evidenciam a complexa relação entre infraestrutura urbana, fenômenos climáticos e a gestão de serviços essenciais, como a distribuição de energia em grandes metrópoles. A empresa se posiciona buscando soluções e investimentos, enquanto aponta para responsabilidades compartilhadas e os desafios inerentes à modernização de redes antigas. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios regulatórios e a qualidade da distribuição de energia no Brasil, é possível consultar informações detalhadas no site da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Continue acompanhando as últimas notícias sobre economia e infraestrutura em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação/Enel

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