O cenário político de Pernambuco registra uma importante movimentação com a saída do ex-ministro do Turismo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Gilson Machado, do Partido Liberal (PL). A decisão, anunciada nesta quarta-feira, dia 21, por meio de uma carta divulgada nas redes sociais, sinaliza o prosseguimento de sua intenção de disputar uma cadeira no Senado pelo estado, embora o destino partidário de Machado ainda não tenha sido revelado.
A desfiliação de Machado do PL é atribuída, segundo suas próprias palavras, à ausência de apoio da direção estadual da legenda. Este movimento ocorre em meio a uma notória disputa interna dentro do Partido Liberal em Pernambuco, onde Gilson Machado e o atual presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, divergiam sobre quem seria o candidato ao Senado. Com a formalização da saída de Machado, o caminho se abre para que Anderson Ferreira seja confirmado como o representante do partido na corrida eleitoral.
Gilson Machado deixa o PL em disputa por vaga no Senado
Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter manifestado preferência pelo nome de Gilson Machado para a disputa senatorial em Pernambuco, a direção estadual do partido adotou uma postura distinta. “Continuo sendo o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém, não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão”, detalhou Machado em sua comunicação. Ele também mencionou que restrições de deslocamento, que o impedem de deixar Recife, inviabilizaram uma comunicação pessoal com Bolsonaro para informar sua decisão, mas confirmou que o senador Flávio Bolsonaro e Renato Bolsonaro, filho e irmão do ex-presidente, foram devidamente notificados.
A trajetória política de Gilson Machado é marcada por sua proximidade com o ex-presidente Bolsonaro, com quem se alinhou a partir de 2018. Sua atuação no governo Bolsonaro incluiu passagens como secretário do Ministério do Meio Ambiente e, a partir de maio de 2019, como presidente da Embratur por mais de um ano. Em dezembro de 2020, foi remanejado para o Ministério do Turismo, cargo que ocupou até o final da gestão. Machado ganhou considerável visibilidade durante a pandemia de COVID-19, quando frequentemente aparecia tocando sanfona em lives do ex-presidente, demonstrando sua paixão pela música – ele é sanfoneiro, já gravou com artistas como Zé Ramalho e ainda integra a banda Brucelose, chegando a dar aulas do instrumento para Bolsonaro.
Um dos episódios de maior repercussão envolvendo o ex-ministro ocorreu em junho do ano passado. Gilson Machado foi detido pela Polícia Federal (PF) em Recife sob a acusação de tentar auxiliar o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, a obter um passaporte português. A intenção, segundo as investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), seria permitir que Cid deixasse o Brasil. Na ocasião, Machado refutou veementemente as acusações. A prisão, contudo, foi de curta duração. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua soltura. A decisão de Moraes fundamentou-se na avaliação de que, após as diligências realizadas pela Polícia Federal, a prisão preventiva não se justificava mais, sendo substituída por medidas cautelares alternativas. Entre as restrições impostas, figuraram o cancelamento de seu passaporte, a proibição de deixar o território nacional e a vedação de qualquer comunicação com outros indivíduos sob investigação.
Apesar da mudança de legenda, Gilson Machado reforçou seu compromisso com os princípios que o guiam. Em sua carta, ele enfatizou que, embora troque de partido, “não troca de lado”, reafirmando seu alinhamento contínuo ao bolsonarismo. “Sigo fiel aos meus ideais e valores. Sempre leal ao presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro”, declarou, indicando que sua linha política permanecerá inalterada.
Imagem: infomoney.com.br
A saída de Gilson Machado do PL e sua busca por uma candidatura ao Senado em Pernambuco são elementos que prometem agitar o cenário político local, especialmente em um ano pré-eleitoral, onde as alianças e desfiliações ganham peso. Este movimento reflete as tensões e reconfigurações internas dos partidos, bem como a persistência de figuras ligadas ao governo anterior em manter sua influência e buscar novos espaços no poder legislativo. Acompanhar a filiação de Machado a uma nova sigla será crucial para entender os próximos passos dessa articulação política em Pernambuco.
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Para mais informações sobre as investigações da Polícia Federal em casos de repercussão nacional, você pode consultar o portal oficial da Polícia Federal, uma fonte confiável para notícias e comunicados sobre operações e ações policiais no Brasil. Esteja sempre por dentro das últimas notícias sobre política e o cenário eleitoral. Continue navegando em nossa editoria de Política para análises aprofundadas e atualizações constantes.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil