Ibovespa Cai na Primeira Sessão de 2026 com PETR4 e VALE3

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A primeira sessão de 2026 no mercado financeiro brasileiro foi marcada por volatilidade e queda para o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. O indicador recuou para a faixa dos 160,1 mil pontos, em um dia onde as ações de grandes empresas como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) registraram desvalorização. Paralelamente, o dólar comercial experimentou uma queda significativa, atingindo R$ 5,42, e os juros futuros também recuaram, indicando um maior apetite ao risco por parte dos investidores.

A abertura do ano refletiu uma série de fatores, tanto domésticos quanto internacionais, que influenciaram a performance das empresas listadas. O mercado operou com baixa liquidez em diversos momentos, uma característica comum após as festividades de Ano Novo, e ajustou-se a novos cenários econômicos e geopolíticos globais. Mesmo com o cenário de baixa na Bolsa, outros indicadores como o dólar futuro e o mini-índice abriram o dia com alguma alta inicial, sinalizando expectativas mistas entre os operadores.

Ibovespa Cai na Primeira Sessão de 2026 com PETR4 e VALE3

No decorrer do pregão, a tendência de baixa no Ibovespa em 2026 se consolidou. O índice chegou a oscilar, buscando recuperar os 160 mil pontos, mas as perdas de papéis de peso puxaram o indicador para baixo. A Petrobras, por exemplo, viu suas ações PETR3 e PETR4 ampliarem as quedas ao longo do dia, impactadas pela desvalorização do petróleo no mercado internacional. A Vale (VALE3) também contribuiu para a baixa do índice, fechando com recuo de 0,26% a R$ 71,77, após um dia de leve alta inicial.

Um dos destaques negativos do dia foram as ações das empresas do setor frigorífico, Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3), que despencaram na B3. A queda foi impulsionada pelo anúncio da China de imposição de tarifas adicionais de 55% sobre importações de carne bovina que excederem as cotas de países fornecedores como Brasil, Austrália e Estados Unidos. Analistas do BTG Pactual apontaram que, embora a situação pareça administrável, a China pode deixar de ser vista como o principal motor de crescimento do setor, o que pode impactar o perfil de longo prazo dos exportadores de carne bovina.

Cenário Econômico Brasileiro e Fluxo Cambial

O Banco Central informou que o Brasil registrou um fluxo cambial total negativo de US$8,410 bilhões em dezembro até o dia 26, com saídas líquidas de US$15,047 bilhões pelo canal financeiro. Este canal abrange investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros. No canal comercial, houve um saldo positivo de US$6,637 bilhões no mesmo período. As taxas do Tesouro Direto caíram acentuadamente na primeira sessão do ano, evidenciando o maior apetite ao risco dos investidores. O dólar comercial, por sua vez, acelerou a queda, recuando 1,27% para R$ 5,418, e o Banco Central divulgou a PTAX de fechamento com a compra a R$ 5,4366 e venda a R$ 5,4372.

A atividade industrial no Brasil encerrou 2025 com a retração mais acentuada em três meses, conforme a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) compilada pela S&P Global. O índice caiu para 47,6 em dezembro, de 48,8 em novembro, ficando abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, destacou que a indústria brasileira foi severamente impactada pela retração da demanda, e as novas encomendas não conseguiram se recuperar, mesmo com empresas reduzindo preços de venda.

Destaques Corporativos na Primeira Sessão

Diversas empresas tiveram movimentos notáveis. A Dasa (DASA3) vivenciou um dia volátil, com repercussão mista após a venda de um hospital por R$ 1,2 bilhão. As ações da companhia permaneceram em baixa. A Microsoft foi alvo de um inquérito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à sua atuação nos mercados de software corporativo e computação em nuvem no Brasil. A decisão do Cade acolhe recomendação da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido, que identificou efeitos adversos à concorrência. A Prio (PRIO3) aprovou um aumento de capital de R$95,1 milhões com a emissão de cerca de 3,1 milhões de novas ações. A Fras-le (FRAS3) teve sua mudança de denominação social para Frasle Mobility aprovada pelos acionistas, formalizando uma prática já adotada. A Marisa (AMAR3) comunicou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reverteu a decisão que determinava o refazimento de demonstrações financeiras da varejista. A Petrobras iniciou a produção da plataforma P-78 no campo de Búzios no último dia de 2025, com capacidade para produzir 180 mil barris de óleo por dia. A EMAE (EMAE4) rescindiu um acordo com o BTG Pactual (BPAC11) referente à aquisição de debêntures da Light (LIGT3) devido à não obtenção de anuência prévia da Aneel.

Mercados Globais e Contexto Internacional

Enquanto o mercado brasileiro enfrentava desafios, os mercados globais apresentaram um cenário misto. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 iniciou 2026 com recordes, impulsionado por ações de tecnologia e defesa, ampliando a alta de 2025. O índice fechou em alta de 0,67%, atingindo 596,14 pontos. Em Londres, o FTSE 100 superou pela primeira vez a marca de 10 mil pontos. As bolsas asiáticas também registraram alta, com impulso de ações de tecnologia e avanços no setor de Inteligência Artificial, como observado com a Shanghai Biren Technology e a Baidu. Os futuros dos índices de ações dos Estados Unidos, como Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones, também apontavam para alta na pré-abertura, embora Wall Street tenha operado de forma mista no primeiro dia de negociação. O mercado de petróleo operou quase estável após a maior perda anual desde 2020, em meio a tensões no Oriente Médio e pressões dos EUA sobre exportações venezuelanas, conforme noticiado pela agência de notícias Reuters. A projeção do CME/FedWatch para a manutenção dos juros nos EUA em janeiro está em 85%.

No cenário geopolítico, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy nomeou Kyrylo Budanov, chefe de espionagem da defesa, como seu principal assessor, em uma reformulação que busca fortalecer as defesas contra a Rússia. Nos EUA, o presidente Donald Trump ameaçou o Irã em relação a mortes em protestos. A Samsung Electronics comunicou que seus clientes elogiaram a competitividade de seus chips de memória de alta largura de banda (HBM) de próxima geração, o HBM4. Em contraste, os emplacamentos de veículos da Tesla caíram em importantes mercados europeus em dezembro, refletindo aumento da concorrência e uma linha de produtos atualizada.

A atividade das fábricas da zona do euro aprofundou sua contração em dezembro, com a produção diminuindo pela primeira vez em 10 meses, de acordo com o PMI da Indústria da Zona do Euro HCOB. O índice caiu para 48,8, indicando contração e cautela por parte das empresas, que não parecem dispostas a criar um impulso significativo para o próximo ano. Outras notícias políticas incluíram a determinação da PF para o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão e a prisão de Filipe Martins por violação de medida cautelar. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um aceno aos EUA, sugerindo conversas sérias sobre combate ao tráfico de drogas e oferecendo acesso ao petróleo venezuelano.

O ano de 2026 inicia com uma complexa interação de fatores econômicos e políticos que moldam os mercados globais e locais. A queda do Ibovespa na primeira sessão de 2026, impulsionada por ações de peso e notícias setoriais, reflete essa dinâmica. Os investidores permanecem atentos a indicadores econômicos, decisões de bancos centrais e desenvolvimentos geopolíticos para traçar as tendências futuras. A liquidez do mercado global deverá permanecer baixa antes de uma provável recuperação e melhora na próxima semana, juntamente com um conjunto mais completo de dados econômicos.

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Este cenário inicial do ano destaca a importância de acompanhar de perto as movimentações do mercado. Para análises aprofundadas sobre economia e o desempenho das bolsas, continue explorando nossa editoria de Economia para ficar sempre bem informado.

Crédito da imagem: InfoMoney

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