Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 18 de fevereiro revelou que a maioria dos norte-americanos acredita na impunidade de poderosos em caso Epstein, sinalizando uma profunda desconfiança na responsabilização de indivíduos abastados e influentes. Os resultados da sondagem surgem na esteira da liberação de uma vasta quantidade de documentos que expõem as intrincadas conexões do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein com círculos de elite nos negócios e na política dos Estados Unidos.
O levantamento de quatro dias, concluído na segunda-feira, indicou que aproximadamente 69% dos entrevistados expressaram que suas opiniões eram muito bem ou extremamente bem representadas pela afirmação de que os arquivos de Epstein demonstram que figuras poderosas nos EUA raramente enfrentam consequências por suas ações. Adicionalmente, 17% consideraram que a declaração descrevia seus pontos de vista de forma razoavelmente adequada. Em contraste, apenas 11% discordaram da afirmação. A percepção de impunidade transcendeu as divisões partidárias, com mais de 80% tanto de republicanos quanto de democratas concordando, pelo menos razoavelmente bem, com a declaração.
Impunidade de poderosos em caso Epstein choca americanos
A divulgação dos milhões de documentos, que detalham as conexões de Jeffrey Epstein com a elite empresarial e política dos EUA, foi realizada pelo Departamento de Justiça dos EUA sob ordens do Congresso. Estes registros traçam o relacionamento do financista com uma série de personalidades proeminentes em diversas esferas, antes e depois de sua confissão em 2008, quando se declarou culpado de acusações de prostituição, incluindo aliciamento de menores. A morte de Epstein em 2019, em uma cela de prisão em Manhattan, após sua detenção por acusações de tráfico sexual de menores, foi oficialmente categorizada como suicídio.
O escândalo em torno de Epstein tem sido uma fonte persistente de desconforto político para o ex-presidente Donald Trump. As suspeitas em torno do caso foram alimentadas por Trump por um longo tempo, e seu governo enfrentou críticas por supostamente não ter divulgado integralmente todas as informações que o governo dos EUA possuía sobre o caso. O presidente republicano, que teve interações significativas com Epstein nas décadas de 1990 e 2000, consistentemente negou qualquer conhecimento dos crimes do financista, afirmando ter rompido laços no início dos anos 2000, antes do acordo judicial de Epstein.
As revelações contidas nos arquivos de Epstein já começaram a provocar a queda de figuras notáveis. Sultan Ahmed Bin Sulayem, que atuava como diretor executivo e presidente da DP World, anunciou sua renúncia na sexta-feira, após seu nome aparecer nos documentos. De forma similar, executivos de alto escalão da Goldman Sachs e da Hyatt Hotels também deixaram seus cargos em meio às repercussões do escândalo.
Entretanto, outros indivíduos de destaque conseguiram manter suas posições, apesar das conexões reveladas. Howard Lutnick, que serviu como secretário de Comércio durante a administração Trump, aparentemente visitou a ilha particular de Epstein para almoçar em 2012 e o convidou para um evento de arrecadação de fundos em 2015 para Hillary Clinton, a principal rival democrata de Trump na eleição presidencial de 2016, conforme indicam e-mails. Da mesma forma, o médico Mehmet Oz, que foi administrador do Centro de Serviços Medicare e Medicaid dos EUA sob Trump, enviou um e-mail com um convite para uma festa de Dia dos Namorados em 2016 para Epstein, segundo documentos do Departamento de Justiça. É importante ressaltar que nem Lutnick nem Oz foram formalmente acusados de qualquer irregularidade.
Imagem: infomoney.com.br
Embora os norte-americanos demonstrem uma baixa expectativa geral de que as elites sejam responsabilizadas por suas ações, eles se mostram divididos ao longo de linhas partidárias quanto à duração do foco nacional no caso Epstein. Questionados se suas opiniões eram bem descritas pela afirmação de que era hora de o país parar de discutir os arquivos de Epstein, 67% dos entrevistados republicanos na pesquisa concordaram, pelo menos razoavelmente bem, com essa perspectiva. Em contrapartida, apenas 21% dos democratas manifestaram a mesma opinião, evidenciando uma divergência significativa sobre o prosseguimento da discussão pública do assunto.
A pesquisa Reuters/Ipsos foi conduzida online, abrangendo todo o território nacional dos Estados Unidos, e coletou respostas de 1.117 adultos. O estudo apresenta uma margem de erro de 3 pontos percentuais, garantindo um grau de confiabilidade estatística para os resultados apresentados.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em suma, a pesquisa Reuters/Ipsos sublinha uma percepção generalizada entre os americanos de que a justiça muitas vezes não alcança os poderosos, especialmente no complexo e sombrio caso Epstein. Essa desconfiança gera debates cruciais sobre a transparência e a responsabilização de figuras influentes. Para aprofundar-se em análises sobre política e sociedade, convidamos você a explorar nossa cobertura completa de política.
Crédito da imagem: Reuters