O Ibovespa hoje registrou uma sessão de baixa, recuando para a faixa dos 162 mil pontos. O desempenho do principal índice da bolsa brasileira foi impactado negativamente pelas ações de grandes bancos e do setor varejista. Em contrapartida, papéis de peso como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) apresentaram valorização, mitigando perdas maiores. Paralelamente, o dólar comercial experimentou alta, alcançando R$ 5,38, enquanto os juros futuros operaram de forma mista, refletindo a cautela dos investidores frente a um cenário econômico e geopolítico complexo.
A dinâmica do mercado foi influenciada por uma série de fatores, tanto no âmbito nacional quanto internacional. As expectativas sobre a inflação nos Estados Unidos, os resultados financeiros de grandes bancos globais e as tensões geopolíticas, especialmente as declarações do ex-presidente Donald Trump sobre o Irã e o Federal Reserve (Fed), adicionaram camadas de incerteza que mantiveram os investidores em estado de atenção ao longo do dia.
Ibovespa Hoje: Bolsa cai com bancos e varejo; Petrobras e Vale sobem
No cenário econômico doméstico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, projetou um déficit primário do governo central de 0,1% do PIB para 2025, indicando o cumprimento da meta de déficit zero, considerando a margem de tolerância. Haddad enfatizou a trajetória de melhoria dos resultados primários a cada ano e apontou que o nível de juros no país é o principal fator a impactar a dívida pública. Além disso, o setor de serviços, apesar de ter desacelerado em novembro, com uma leve queda de 0,1% em relação a outubro, foi avaliado por economistas como robusto e ainda pressionando a inflação, o que pode influenciar decisões futuras sobre a taxa de juros.
As projeções para o setor automotivo brasileiro, divulgadas pela Fenabrave, apontam um crescimento de 3% nas vendas de carros e comerciais leves novos em 2026, com 2,63 milhões de unidades. Para caminhões, a expectativa é de expansão de 3,5%, totalizando 114,75 mil veículos, e para ônibus, um avanço de 3%, atingindo 29,7 mil unidades. Essas previsões indicam um otimismo moderado para a recuperação do setor no próximo ano.
Economia Global sob Pressão: Inflação dos EUA e Geopolítica
No panorama internacional, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos para dezembro foi um dos pontos de maior atenção. O CPI subiu 0,3% em novembro e 2,7% na comparação anual, em linha com as expectativas. O núcleo do CPI avançou 0,2% em novembro e 2,6% na comparação anual, ligeiramente abaixo do esperado. Esses dados reforçam a percepção de um cenário inflacionário mais controlado, o que pode aliviar a pressão sobre o Federal Reserve para manter as taxas de juros elevadas. Apesar da inflação mais baixa em dezembro, economistas do C6 Bank consideram um novo corte de juros no final de janeiro pouco provável, dado que a inflação ainda permanece acima da meta de 2% e o setor de serviços segue robusto.
As declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também reverberaram nos mercados. Ele criticou a independência do Fed, ameaçando o chair Jerome Powell com uma acusação criminal, o que levou diversos bancos centrais globais, incluindo o do Brasil, a emitirem uma declaração conjunta em defesa da autonomia da instituição. Trump também prometeu impor uma tarifa de 25% a qualquer país que negocie com o Irã, o que gerou incerteza, especialmente para parceiros comerciais como o Brasil, que teve um superávit significativo com o Irã em 2025.
Setores em Destaque: Bancos, Varejo, Commodities e Aviação
Na bolsa brasileira, o setor financeiro e o varejo sofreram as maiores quedas. Grandes bancos como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) registraram perdas consistentes. As varejistas também ampliaram suas baixas, com empresas como Magazine Luiza (MGLU3), Casas Bahia (BHIA3) e Lojas Renner (LREN3) operando no vermelho. Em contraste, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) mantiveram fortes ganhos, impulsionadas pela alta dos futuros do petróleo, que dispararam após as tensões geopolíticas envolvendo o Irã e as declarações de Trump.
A mineradora Vale (VALE3) também renovou sua máxima do dia, demonstrando resiliência frente à queda geral do mercado. Outras empresas que tiveram movimentos notáveis incluem a Azul (AZUL53), que entrou em leilão e registrou queda expressiva de mais de 60% após a conversão de papéis preferenciais em ordinários, e a Hapvida (HAPV3), que liderou as perdas com uma queda de 7,73% em um dia marcado por mudanças em sua gestão.
Imagem: infomoney.com.br
No setor de imóveis, o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) renovou sua máxima do dia, indicando um desempenho positivo para o segmento. A Sabesp e a Copasa foram apontadas como boas opções de investimento, com a empresa paulista sendo a melhor escolha a longo prazo e a mineira com melhor momentum a curto prazo, à medida que a redução de risco traz boas expectativas para ambas.
Comércio Exterior e Relações Internacionais
O comércio exterior também foi pauta, com a notícia de que o Brasil aguarda um decreto para avaliar o impacto das tarifas ameaçadas por Trump a parceiros do Irã. Em 2025, o Brasil teve um superávit comercial de US$ 2,9 bilhões com o Irã, exportando principalmente milho e soja. O Acordo comercial UE-Mercosul, firmado após um quarto de século de negociações, foi visto por analistas como um sinal dos limites da diplomacia dura de Trump na América Latina, impulsionando laços comerciais em uma região onde a influência da China e Europa tem crescido.
No agronegócio, o Vietnã habilitou quatro novos frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina, dobrando a capacidade de oferta do Brasil para o país asiático. A produção de açúcar e etanol no centro-sul do Brasil na primeira quinzena de dezembro de 2025 registrou quedas significativas em comparação com o ano anterior, embora a produção acumulada de açúcar ainda mostre um pequeno avanço na safra.
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Em suma, o mercado financeiro brasileiro e global segue em um período de volatilidade, influenciado por uma complexa interação de fatores macroeconômicos, decisões políticas e eventos geopolíticos. Acompanhar de perto esses desdobramentos é crucial para entender as tendências e os movimentos da bolsa. Para mais análises e notícias detalhadas sobre a economia e os mercados, continue explorando nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Felipe Alves