Promotores nos EUA renunciam por pressão em caso ICE

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Promotores nos EUA renunciam por pressão em caso ICE é a manchete que abalou o Departamento de Justiça americano nesta terça-feira, 13, quando seis procuradores federais de carreira em Minnesota apresentaram suas demissões. A decisão veio após uma série de pressões para que abrissem uma investigação criminal contra Becca Good, viúva de Renee Nicole Good, mulher que foi morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O fato mais controverso é que, enquanto a viúva era alvo de inquérito, o próprio agente atirador não estava sob investigação, conforme revelado por fontes ligadas diretamente ao caso ao The New York Times.

A crise no Ministério Público Federal de Minnesota ganhou contornos ainda mais críticos com a saída de figuras importantes. Entre os que pediram desligamento, destaca-se Joseph H. Thompson, que ocupava a posição de número dois na Procuradoria Federal e era responsável por investigações abrangentes sobre fraudes em programas sociais no estado. Sua renúncia, e a dos outros cinco procuradores, sublinha um profundo desacordo com as diretrizes vindas do Departamento de Justiça, especialmente no que tange à aplicação da lei e à transparência nas ações de agências federais.

Promotores nos EUA renunciam por pressão em caso ICE

A tensão central que culminou na onda de demissões está enraizada na recusa de Thompson e seus colegas em acatar a exigência de focar na viúva da vítima. Joseph H. Thompson, de acordo com relatos obtidos, expressou veemente oposição à ideia de investigar Becca Good. Sua resistência não se limitou a essa pauta; ele também criticou abertamente a postura do Departamento de Justiça em se recusar a apurar a legalidade do uso da força empregado pelo agente do ICE que resultou na morte de Renee Nicole Good, ocorrida na semana passada em Minneapolis. Este cenário levantou sérias questões sobre a imparcialidade e a priorização das investigações federais.

Após o trágico tiroteio, a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, liderada por Harmeet Dhillon, comunicou internamente a decisão de não iniciar uma investigação federal para determinar se o agente em questão havia infringido a lei. Em vez de examinar a conduta do agente, o departamento direcionou seus esforços para investigar possíveis laços da viúva da vítima com grupos engajados na fiscalização e protesto contra as operações de agentes de imigração. A situação foi agravada por declarações públicas controversas, como a da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que chegou a classificar a vítima como “terrorista doméstica”, adicionando combustível à polarização do caso.

Além de Thompson, outros promotores de alto escalão também se juntaram à lista de demissionários, incluindo Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez. Até o momento, nenhum deles se manifestou publicamente sobre os motivos específicos de suas saídas, optando pelo silêncio. Da mesma forma, o Departamento de Justiça não respondeu aos múltiplos pedidos de esclarecimento feitos pelo The New York Times, mantendo um véu de mistério sobre os bastidores da decisão de pressionar os promotores. Essa falta de transparência apenas intensifica as dúvidas e preocupações sobre a integridade do processo judicial e a autonomia dos promotores federais.

A morte de Renee Nicole Good ocorreu durante uma operação do ICE em Minneapolis na quarta-feira, 7. A cidade tem sido palco de tensões elevadas, especialmente após o assassinato de George Floyd pela polícia local em 2020, o que amplificou a sensibilidade de questões relacionadas ao uso da força por autoridades. Centenas de pessoas se uniram em protestos fervorosos contra a morte de Renee, que era mãe de três filhos. A família Good — Renee, seu filho de seis anos e sua esposa Becca — havia se mudado recentemente de Kansas City, Missouri, para Minneapolis, buscando talvez um novo começo que foi brutalmente interrompido.

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Imagem: infomoney.com.br

Um vídeo amador, gravado por transeuntes e amplamente divulgado nas redes sociais, capturou os momentos chocantes que antecederam a tragédia. As imagens mostram um agente aproximando-se do veículo de Renee, exigindo que ela abrisse a porta e, em seguida, agarrando a maçaneta. No instante em que ela tentou mover o carro, um segundo agente do ICE, posicionado à frente do automóvel, sacou sua arma e efetuou, de forma imediata e à queima-roupa, pelo menos dois disparos contra o veículo. A brutalidade e a rapidez da ação levantaram questionamentos sobre a proporcionalidade da força utilizada e a observância dos protocolos de engajamento.

Diante da gravidade dos acontecimentos, o procurador-geral de Minnesota, juntamente com os prefeitos de Minneapolis e St. Paul, agiu na segunda-feira seguinte, ingressando com uma ação na Justiça Federal. O objetivo da medida judicial é solicitar o encerramento da operação do ICE que resultou na morte de Renee Nicole Good, sob a alegação de abusos e flagrantes violações de direitos civis. Esse movimento legal local ressalta a tensão crescente entre as autoridades estaduais e federais em relação às táticas de imigração. Adicionalmente, em um incidente separado na quinta-feira, 9, um novo tiroteio envolvendo agentes federais foi reportado em Portland, Oregon, resultando em duas pessoas feridas, o que amplifica as preocupações sobre a conduta das agências federais. Para mais informações sobre a política americana e as discussões em torno de direitos humanos, o The New York Times oferece uma cobertura aprofundada. Acesse as notícias mais recentes sobre o tema.

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A sequência de eventos em Minnesota e a subsequente renúncia de seis procuradores federais expõem uma fenda profunda entre o Departamento de Justiça e seus próprios quadros, especialmente no que tange à independência da investigação e à aplicação equitativa da lei. A pressão para investigar a viúva de uma vítima, enquanto o agente responsável pelo disparo permanece sem inquérito, levanta sérias questões sobre as prioridades e a ética nas agências federais. Este caso serve como um lembrete contundente da complexidade e da sensibilidade envolvidas nas operações de imigração e na defesa dos direitos civis nos Estados Unidos. Acompanhe a editoria de Política em nosso blog para se manter informado sobre esses e outros desdobramentos que impactam a sociedade. Clique aqui para ler mais artigos sobre política.

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