A reta final de janeiro pautou o mercado financeiro com a aguardada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu nos dias 27 e 28. A expectativa geral se consolidava na manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em seu patamar então vigente de 15% ao ano. Contudo, a Projeção Selic XP, detalhada por economistas da instituição, sinaliza um cenário futuro de flexibilização, com os primeiros cortes previstos para março e a taxa convergindo para 12,5% até o fim de 2025.
Este panorama de afrouxamento monetário, que tem implicações diretas para a economia e para as decisões de investimento, foi minuciosamente exposto em um relatório recente da XP Investimentos. O documento não apenas antecipa o início do ciclo de cortes, mas também estende as perspectivas da taxa de juros para os anos subsequentes, desenhando um quadro para 2026 e 2027.
XP Projeta Selic a 12,5% em 2026 e 11% em 2027
Assinado pelo economista-chefe Caio Megale, em conjunto com os economistas Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, o relatório da XP Investimentos delineia um início de ciclo de reduções da Selic a partir de março. A análise prevê cinco cortes consecutivos, cada um de 0,50 ponto percentual, totalizando uma diminuição de 2,5 pontos. Após essa sequência inicial, uma pausa estratégica para reavaliação é esperada para o segundo semestre, com a projeção Selic XP indicando 12,5% para o fechamento de 2025. A visão da corretora se estende, com uma leve revisão, para uma taxa de juros de 11% ao final de 2027. Os especialistas ressaltam que a velocidade e a continuidade desse movimento de corte estarão diretamente atreladas ao controle das despesas públicas e à eficácia das políticas fiscais.
A fundamentação para essas projeções se baseia em uma análise dos indicadores econômicos, que permaneceram praticamente inalterados desde o último mês de dezembro. A taxa de câmbio, por exemplo, manteve-se em um patamar similar ao observado no encerramento do ano anterior, demonstrando certa estabilidade. Paralelamente, as expectativas do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação, apresentaram pouca variação, sugerindo uma consolidação das perspectivas para essas variáveis macroeconômicas.
No que concerne à inflação, o cenário atual é marcado por uma dinâmica de pressões antagônicas. O IPCA encerrou 2025 com um registro de 4,26%, valor que se situou dentro da margem de tolerância da meta de inflação estabelecida para o período, que é de 3%, com variação permitida de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Economistas da XP destacam que os núcleos da inflação, considerados indicadores mais precisos das tendências subjacentes de preços, mantiveram-se em uma faixa entre 3,5% e 4%. Adicionalmente, os preços ao produtor, aferidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-FGV), têm mostrado sinais de desaceleração, o que é interpretado como um indicativo positivo para as próximas leituras do IPCA.
Apesar dos sinais favoráveis em alguns indicadores de preços, outros fatores exercem tensão sobre as projeções inflacionárias. A desaceleração gradual da atividade econômica, combinada com os dados recentes do mercado de trabalho, adiciona um componente de incerteza ao cenário. Além disso, o início deste ano foi marcado por uma elevação nos preços das commodities no mercado internacional, o que representa um fator de preocupação adicional, dada a influência desses produtos na formação dos preços internos. Para entender mais sobre a política monetária e a taxa Selic, consulte as informações no site oficial do Banco Central do Brasil.
Para o corrente ano, a corrida eleitoral emerge como um elemento crucial no termômetro econômico. Em um contexto onde a inflação mostra um recuo, ainda que insuficiente para convergir plenamente à meta de 3%, o foco de atenção se volta intensamente para os gastos governamentais e para a viabilidade de uma reforma nas contas públicas a ser implementada em 2027. A expectativa de um ajuste fiscal consistente torna-se um pilar para a trajetória futura da Selic e para a saúde fiscal do país.
Imagem: Raphael Ribeiro via infomoney.com.br
No cenário-base traçado pela XP, a avaliação é de que o próximo governo implementará medidas para conter as despesas. No entanto, essas ações seriam insuficientes para cobrir o desequilíbrio entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto. Nesse panorama, as oportunidades para cortes significativos na taxa de juros em 2027 seriam limitadas. A projeção Selic XP, reiterada nesse contexto, permanece em 11% ao fim de 2027.
Ainda assim, a análise da XP Investimentos contempla cenários alternativos, que dependem diretamente da condução da política fiscal a partir de 2027. Se, por exemplo, os ajustes insuficientes considerados no cenário-base não se materializarem, o Banco Central provavelmente não encontraria margem para implementar cortes adicionais nos juros no ano seguinte. Por outro lado, caso um conjunto mais robusto e abrangente de ajustes fiscais seja efetivamente implementado, a taxa Selic poderia convergir para o seu nível neutro, estimado pelos economistas em cerca de 5,5% em termos reais, demonstrando a sensibilidade da política monetária às decisões fiscais.
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A projeção Selic XP oferece uma bússola importante para o mercado financeiro e para os cidadãos, indicando tendências para a taxa de juros e seus impactos na economia brasileira. As perspectivas de cortes, embora promissoras, permanecem atreladas à responsabilidade fiscal e ao cenário político. Para continuar acompanhando as análises e notícias sobre a economia nacional e as tendências de mercado, explore nossa editoria de Economia.
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