A segunda edição do Melhor RH Innovation consolidou a percepção de que a inovação na gestão de pessoas transcendeu o papel de coadjuvante para assumir uma posição central e estratégica nas organizações. Enquanto a primeira edição demonstrou o potencial do RH, esta nova fase aprofunda a discussão sobre a sustentabilidade e a integração da inovação ao cotidiano corporativo. O desafio não é apenas lançar um projeto inovador, mas sim manter esse ímpeto, influenciando decisões, processos e a experiência dos colaboradores de forma contínua.
Nesse cenário, a Transpetro e a Companhia de Estágios se destacaram, evidenciando que a inovação no setor de Recursos Humanos alcançou uma maturidade que a desvincula de apostas isoladas. Torna-se um movimento ininterrupto, que se propaga quando encontra métodos claros, colaboração efetiva e abertura para transformar cada aprendizado em um degrau de evolução.
Melhor RH Innovation destaca inovação madura e estratégica
A Transpetro brilhou em uma competição notavelmente acirrada, conquistando o mesmo número de troféus – dois – que Alelo e Banco do Brasil. A Afya também obteve um desempenho robusto, com um primeiro e dois segundos lugares, além de certificações. Contudo, o grande diferencial da Transpetro foi a amplitude de seu reconhecimento, somando 12 distinções ao todo. A empresa demonstrou sua força em áreas como Employee Experience, Tecnologia, Desenvolvimento de Lideranças, KPIs de Efetividade, Serviços de RH, Futuro do Trabalho e Inovação. Essa presença consistente em diversas facetas da gestão de pessoas recolocou a Transpetro no topo da premiação.
A Companhia de Estágios, por sua vez, destacou-se por uma perspectiva distinta. Reconhecida como Marca Parceira do RH, a empresa somou dois troféus por sua colaboração em projetos com a Sanofi e a Amazon, sendo um de vencedora e outro de segundo lugar. Se a Transpetro ilustra a força de uma agenda interna bem distribuída, a Companhia de Estágios ressalta que a inovação também se edifica por meio de parcerias estratégicas, capazes de transformar desafios concretos em projetos viáveis e adaptados ao contexto de cada organização. A lição é que inovar não se resume a criar algo novo, mas a garantir que essa novidade encontre sentido e aplicação no mundo real das empresas.
A palavra inovação, um dos maiores impulsionadores do ambiente corporativo moderno, carrega um certo romantismo. É incontestável que as empresas almejam ser inovadoras para acompanhar o ritmo das transformações. Contudo, a premissa de que um projeto disruptivo isolado basta para atingir esse patamar já é superada. As organizações entendem que a inovação verdadeira vai além de uma iniciativa pontual. A Transpetro, ao retornar ao ápice do Melhor RH Innovation, desafia essa lógica ao sustentar e expandir uma agenda de inovação que já havia provado sua eficácia. Foi essa consistência — estruturada, deliberada e rara — que a colocou em evidência nesta edição.
A Inovação Contínua da Transpetro na Gestão de Pessoas
Juliana Horta, gerente executiva de RH da Transpetro, enfatiza que o mais relevante não é a originalidade de cada projeto, mas a maturidade do conjunto de iniciativas. A empresa tem consolidado uma forma de pensar e executar a gestão de pessoas onde inovar não é um evento com começo, meio e fim, nem uma resposta automática às pressões do mercado. É uma escolha diária, sustentada pela cultura e testada nas decisões que moldam a experiência dos colaboradores. “Temos trabalhado para que a inovação esteja presente não apenas em grandes projetos, mas também nas pequenas decisões e melhorias que impactam o dia a dia das pessoas”, afirma Horta, ressaltando a centralidade das pessoas em todo o processo.
Um dos pilares mais estratégicos da Transpetro reside em sua aposta no Mindset Digital. Enquanto muitas empresas priorizam a aquisição de ferramentas e plataformas digitais, a companhia investiu em uma base fundamental. Segundo Juliana, a premissa é cultivar curiosidade, abertura ao novo e disposição para aprender continuamente, em vez de transformar cada empregado em especialista em tecnologia. Essas competências combinadas alteram a estrutura de uma organização inteira. Para a executiva, a inovação ganha escala quando não é restrita a especialistas. “Ninguém precisa saber tudo, mas todos podem aprender, evoluir e contribuir”, destaca.
A inteligência dessa abordagem está justamente em democratizar a inovação. Ao desvincular a inovação da especialização exclusiva, a Transpetro a distribui como uma responsabilidade compartilhada, integrando-a ao modo de vida e à essência da organização.
Para que o Mindset Digital não se limitasse a um conceito bem-intencionado, a Transpetro construiu três frentes complementares que funcionam como engrenagens interligadas: o próprio Mindset Digital, focado no engajamento e desenvolvimento de competências; o Centro de Excelência Digital (CoE RH), que fomenta a criação de soluções com tecnologias acessíveis, criando espaço para protótipos, testes e ajustes ágeis; e as Esteiras Ágeis de Processos, já reconhecidas na primeira edição do Melhor RH Innovation, que otimizam e digitalizam os fluxos de trabalho.
A conexão entre essas três frentes não é acidental, mas resultado de uma governança bem aplicada, que impede que boas ideias sejam perdidas. Juliana Horta explica que a Transpetro opera com um modelo de gestão que garante o alinhamento entre estratégia, execução e acompanhamento de resultados em todos os níveis da organização. Esse modelo permite que ideias promissoras sejam avaliadas, priorizadas, testadas e transformadas em entregas concretas, criando as condições ideais para sua realização.
Essa teia de conexões permite que iniciativas diversas, desde o simulador marítimo até o novo modelo de atendimento ao empregado embarcado, formem uma agenda coesa. “Quando existe clareza de propósito e alinhamento institucional, as soluções deixam de ser experiências pontuais e passam a gerar valor em escala para toda a organização”, ressalta a porta-voz.
Por trás dessa atuação do RH, há uma convicção relevante. Mesmo com a inteligência artificial no centro dos debates sobre o futuro do trabalho, a Transpetro evita o deslumbramento pela ferramenta. A tecnologia é integrada como parte de uma estratégia maior. “A tecnologia é meio, não fim. Seu maior valor está na capacidade de ampliar o potencial humano”, define a gerente executiva. Para aprofundar sua compreensão sobre como a tecnologia pode transformar o RH, consulte este artigo na Harvard Business Review Brasil.
Na prática, isso se traduz na democratização do acesso ao conhecimento em ciência de dados, IA e ferramentas digitais para toda a força de trabalho, sem criar dependência de sistemas. O objetivo, segundo Juliana Horta, é desenvolver confiança, autonomia e senso crítico para que cada empregado use esses recursos para facilitar suas atividades e gerar valor. “A tecnologia faz sentido quando aproxima pessoas, simplifica experiências e cria mais espaço para aquilo que é essencialmente humano”, conclui.
A inovação, naturalmente, exige também a capacidade de experimentar e errar com método. Na Transpetro, ciclos curtos, protótipos, entregas de alto valor agregado e ajustes contínuos se tornaram rotina, sem a expectativa de que tudo nasça pronto. A experimentação responsável é a chave para uma inovação duradoura, fundamentada na persistente capacidade de ouvir, adaptar e evoluir.
O maior desafio, portanto, é garantir que esse movimento de inovação se integre como uma engrenagem essencial da cultura da Transpetro, permeando todos os níveis e alinhado à estratégia da companhia. Quando isso ocorre, como Juliana Horta sintetiza, a inovação se transforma em uma competência organizacional intrínseca.
Companhia de Estágios: Inovação em Parceria Estratégica
Inovar na gestão de pessoas demanda coragem para romper com o automático, mas o RH não precisa fazer essa jornada sozinho. A Companhia de Estágios exemplifica o papel do parceiro estratégico que se aprofunda nos desafios de cada empresa, buscando resultados e transformando necessidades operacionais em uma agenda de futuro. Esse papel foi reconhecido no Melhor RH Innovation, que a elegeu Fornecedora Parceira do RH – Destaque do Ano, com dois troféus nesta segunda edição.
Imagem: melhorrh.com.br
Fundada em 2006 por Tiago Mavichian, então com 21 anos, a Companhia de Estágios iniciou suas operações sem investidores externos. Seu crescimento foi impulsionado por uma aposta ousada: investir em tecnologia proprietária, no fortalecimento de relacionamentos e na diferenciação como vantagens competitivas inegociáveis, em vez de competir por volume ou preço.
Essa estratégia se traduziu na oferta de uma plataforma robusta para atração, seleção e gestão de aprendizes, estagiários e trainees, compreendendo as dores do setor de RH. Hoje, a empresa é referência em tecnologias e inteligência artificial proprietárias, realizando pesquisas de mercado contínuas com rigor estatístico para entender as novas gerações e criar programas que geram valor para marcas exigentes. É a inteligência de dados a serviço de decisões mais eficazes.
Quase duas décadas após sua fundação, a Companhia de Estágios conta com cerca de 130 colaboradores, gerencia mais de quatro mil vagas anualmente e mantém clientes em sua carteira por mais de uma década. “Foi isso que nos garantiu relacionamentos de longo prazo”, afirma Tiago Mavichian.
No Melhor RH Innovation, a Companhia de Estágios apresentou cases que ilustram a inovação nos detalhes mais cruciais. No projeto com a Sanofi, o desafio era um programa afirmativo especial que custeava 100% da mensalidade universitária dos selecionados. Para ser efetivo, precisava alcançar jovens talentos de baixa renda, historicamente sub-representados. Era preciso criar uma comunicação segmentada e acolhedora para engajar um público que tende a se autoexcluir antes mesmo de tentar.
A solução incluiu dinâmicas baseadas em Escape Game, leves e criativas, projetadas para revelar o potencial dos participantes sem intimidá-los. O resultado foi um grupo 100% feminino e com alto índice de diversidade. O trabalho continuou após a seleção, focando na estrutura de acolhimento e suporte para garantir o desenvolvimento e desempenho equitativo. “O primeiro cuidado essencial é remover as barreiras de desenvolvimento”, observa Tiago Mavichian, ressaltando que, sem isso, a diversidade não gera transformação.
O projeto com a Amazon Web Services (AWS), por sua vez, demandou outro tipo de precisão. Tiago Mavichian relata que o programa de Jovem Aprendiz era totalmente direcionado à inclusão de pessoas com deficiência e possuía critérios de elegibilidade rigorosos, tornando a busca por talentos ainda mais desafiadora. “Sabíamos que seria um desafio difícil, mas fomos a campo”, pontua o executivo.
Um projeto dessa envergadura exige mais do que divulgação. Demanda estratégia, leitura de contexto e busca ativa de talentos que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos processos seletivos tradicionais. A Companhia de Estágios ativou sua base via e-mail e WhatsApp, investiu em comunicação personalizada e descobriu, ao longo do processo, que muitos candidatos já estavam em seu próprio banco de talentos, prontos para a oportunidade.
O resultado superou todas as expectativas. “Preenchemos as vagas antes do prazo, trazendo uma maioria de mulheres e jovens de baixa renda deficientes para o mercado de tecnologia”, relata Mavichian. Contudo, é nesse ponto que o trabalho real começa. Tiago é enfático: “O maior erro é achar que o trabalho termina quando a vaga é preenchida. Em iniciativas como essa, a contratação é só o começo da jornada.”
Os cases da Companhia de Estágios demonstram sua recusa em soluções padronizadas. A empresa não tenta encaixar o cliente em um pacote predefinido, preferindo imergir na cultura e nas dores de cada RH. “Usamos nossa inteligência artificial para dar escala, velocidade e precisão na triagem, mas o desenho do programa é moldado de forma totalmente customizada para o objetivo de negócio do cliente”, complementa Tiago Mavichian. Essa combinação permite atuar com empresas, culturas e desafios radicalmente distintos, mantendo a precisão.
Duas iniciativas ilustram bem esse compromisso em remover obstáculos que separam o talento da oportunidade. A primeira é a jornada do candidato integralmente dentro do WhatsApp, da inscrição e triagem por IA até a assinatura do contrato, tudo em uma plataforma familiar ao candidato. A segunda é o Lab: um espaço com investimento de R$ 1,5 milhão, equipado com realidade virtual, robótica e impressão 3D, criado para uma formação de Jovens Aprendizes alinhada às demandas do mercado de trabalho.
Essa parceria vai além da infraestrutura ou da eficiência operacional. Ao se aproximar de um parceiro estratégico, a organização envia uma mensagem clara ao mercado: o desenvolvimento dos jovens talentos é uma responsabilidade compartilhada. Para o RH, esse suporte ajuda a construir um pipeline de talentos mais qualificado, diverso e alinhado ao futuro da organização. “Uma marca parceira de verdade funciona como uma extensão estratégica da liderança da empresa”, afirma Tiago. E, como tal, assume em conjunto a entrega e os resultados subsequentes.
É nesse ponto que um parceiro especializado demonstra seu valor: ao aliviar o RH do peso da operação, transformando uma demanda complexa em uma frente estruturada de desenvolvimento. “Nós assumimos toda a complexidade, que vai desde a triagem inteligente e o jurídico dos contratos até a atração desse jovem nas universidades, para que o RH consiga focar no que realmente importa: a estratégia de pessoas e o desenvolvimento desses talentos”, explica Mavichian. Mais do que preencher vagas, trata-se de construir caminhos para as empresas, para os profissionais de RH e para uma nova geração de talentos que necessita de portas abertas e, igualmente, de quem saiba sustentar essa travessia com cuidado e atenção.
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Em resumo, a segunda edição do Melhor RH Innovation não legou apenas uma lista de boas práticas, mas sim uma resposta prática à questão fundamental: o que sucede ao reconhecimento? Tanto a Transpetro quanto a Companhia de Estágios, cada qual em sua abordagem, demonstram que o que vem depois é a continuidade do trabalho, com a inovação integrada intrinsecamente ao cotidiano das pessoas. Para se manter atualizado sobre as tendências e análises mais recentes do mercado, continue explorando nosso conteúdo sobre economia e negócios.
Crédito da imagem: Juliana Horta, da Transpetro; Tiago Mavichian. Foto por Germano Lüders.