Papa Leão XIV críticas na África ressoaram com intensidade neste sábado (18), quando o pontífice proferiu uma condenação severa à exploração de recursos naturais no continente. Em um discurso incisivo, Sua Santidade criticou “déspotas” e “tiranos” que, segundo ele, prometem prosperidade e riqueza, mas falham em cumprir suas promessas, resultando em vasta miséria e mortes.
A mensagem foi articulada durante sua visita a Angola, uma nação africana notavelmente rica em petróleo, que marcou a terceira etapa de sua extensa turnê por quatro países da África. Em sua alocução, Leão XIV instou os angolanos a se dedicarem à edificação de uma sociedade desprovida da escravidão imposta por uma elite que, embora detentora de grande riqueza, vive de “falsas alegrias”.
O pontífice tem adotado um estilo de discurso notavelmente vigoroso ao longo desta semana de viagem, um período que coincidiu com ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, em um voo que o levou de Camarões para Angola, Leão XIV buscou amenizar qualquer atrito. Em conversa com jornalistas, ele esclareceu que as observações feitas anteriormente sobre tiranos não eram direcionadas a Trump e que não era do seu interesse debater com o líder norte-americano.
Papa Leão XIV critica “déspotas” e exploração na África
Uma vez na capital angolana, Luanda, Leão XIV expressou profundo lamento pelo fato de “interesses poderosos” reivindicarem os vastos recursos naturais da antiga colônia portuguesa. Esta observação pareceu ser uma clara alusão às empresas estrangeiras que se beneficiam significativamente dos setores de petróleo e diamantes de Angola, bem como de seu emergente segmento de minerais críticos.
“Com demasiada frequência, as pessoas olharam — e continuam a olhar — para suas terras a fim de tomar”, declarou o Papa em comentários dirigidos ao presidente angolano, João Lourenço, e a outras figuras políticas presentes. O questionamento sobre o custo humano e ambiental de tal exploração foi contundente: “Quanto sofrimento, quantas mortes, quantos desastres sociais e ambientais são provocados por essa lógica do extrativismo!”, enfatizou o pontífice.
Leão XIV, que é originário da cidade norte-americana de Chicago, manteve um perfil relativamente discreto nos primeiros dez meses de seu papado. Contudo, nas últimas semanas, ele tem se posicionado de forma mais explícita e franca em uma série de questões globais. Sua turnê de dez dias pela África tem sido marcada por denúncias veementes sobre a guerra e a desigualdade, configurando-se como uma das viagens mais complexas já organizadas para um Papa, com paradas em onze cidades e vilas distribuídas por quatro países, cobrindo uma distância de quase 18.000 quilômetros em dezoito voos.
Apesar de ser uma das principais nações produtoras de petróleo na África Subsaariana, Angola, com sua população de aproximadamente 36,6 milhões de habitantes, ainda enfrenta desafios severos. Mais de 30% de seus cidadãos vivem com menos de US$2,15 por dia, uma realidade alarmante conforme dados do Banco Mundial. Além disso, mais da metade da população angolana se identifica como católica, o que amplifica a ressonância das palavras do Papa.
Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
Em sua exortação, Leão XIV pediu aos angolanos que quebrem o ciclo de interesses que “reduz a realidade, e até mesmo a própria vida, a meras mercadorias”. Ele também exortou os líderes políticos do país a priorizarem o bem-estar de todo o seu povo, em detrimento dos interesses corporativos. “A história os justificará, mesmo que no curto prazo alguns possam se opor a vocês”, afirmou o Papa, reforçando a importância da responsabilidade social e política.
Mais cedo neste sábado, antes de voar para Angola, Leão XIV celebrou uma missa de despedida na capital camaronesa, Yaoundé. Diante de uma vasta congregação, ele encorajou os participantes a não perderem a esperança, apesar dos inúmeros desafios enfrentados pelo país da África Central, que incluem um conflito latente que já ceifou milhares de vidas.
“Nos momentos em que parece que estamos afundando, vencidos por forças adversas, quando tudo parece sombrio Jesus está sempre conosco, mais forte do que qualquer poder do mal”, declarou o pontífice a uma multidão que o Vaticano estimou em 200 mil pessoas, tornando este o maior evento de sua turnê até o momento. “Em cada tempestade, ele vem até nós e repete: Estou aqui com vocês: não tenham medo”, acrescentou, oferecendo palavras de conforto e fé.
As multidões que acolheram o Papa durante sua visita a Camarões demonstraram um entusiasmo vibrante. Isso incluiu cerca de 120 mil pessoas que participaram de uma missa na sexta-feira em Douala, além de milhares que se alinhavam nas ruas ao longo de suas rotas, muitos vestindo tecidos coloridos estampados com a imagem de seu rosto, em um claro sinal de devoção e boas-vindas. Para saber mais sobre os dados socioeconômicos de Angola, uma fonte confiável é o Banco Mundial, que fornece informações detalhadas sobre a economia e o desenvolvimento do país.
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A crítica incisiva do Papa Leão XIV na África destaca a urgência de uma governança ética e da proteção dos recursos naturais para o benefício de todos. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre política e questões sociais em nossa editoria de Política para se manter informado.
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