O Partido Liberal (PL) solicitou formalmente uma investigação contra o Partido dos Trabalhadores (PT). A representação foi protocolada nesta segunda-feira, 27 de maio, pelo deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). O cerne da denúncia é um vídeo, divulgado no domingo, 26, que procura vincular o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à presidência da República, ao suposto escândalo envolvendo o Banco Master.
O material audiovisual, que ganhou repercussão tanto em círculos bolsonaristas quanto petistas nas redes sociais, emprega a expressão “bolsomaster” para designar a alegada conexão. No conteúdo do vídeo, um narrador alega que Flávio Bolsonaro teria se beneficiado do suposto esquema, recebendo uma mansão avaliada em R$ 6 milhões, localizada em Brasília, como parte dos proventos dessa operação. O tom do vídeo é incisivo, sugerindo que o senador estaria envolvido em uma série de práticas ilícitas, incluindo o “esquema das rachadinhas”, desvio de milhões na Alerj, lavagem de dinheiro através da compra de 51 imóveis em espécie, e ligações com milicianos que atuaram em seu gabinete. O narrador desafia o espectador a pesquisar a veracidade das informações, concluindo que Flávio seria o “filho mais corrupto” do presidente Jair Bolsonaro.
PL solicita investigação do PT por vídeo contra Flávio Bolsonaro
De acordo com o deputado Sanderson, a maneira como o vídeo estabelece a ligação entre Flávio Bolsonaro e o Banco Master é problemática. Ele destaca que o conteúdo apresenta alegações como se fossem “fatos comprovados” e utiliza “expressões de forte apelo emocional”, configurando uma narrativa que simula veracidade factual. O ofício enviado à PGR enfatiza que, até o momento da denúncia, não há qualquer investigação formal que estabeleça um vínculo direto do senador com o escândalo financeiro. A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro, quando procurada para comentar o caso, categoricamente desmentiu as acusações, classificando-as como “mentirosas e absurdas”, e reforçou que o senador não figura como formalmente citado em qualquer inquérito relacionado ao Banco Master.
Os Argumentos do Partido Liberal na Solicitação
O deputado Ubiratan Sanderson argumenta que a situação transcende a esfera da crítica política legítima ou da mera expressão de opinião. Para o parlamentar, trata-se de uma “imputação direta de condutas ilícitas”, desprovida de qualquer respaldo em investigações formais de conhecimento público. A forma de apresentação do vídeo, que emula uma reportagem factual, é um dos pontos cruciais da denúncia. Diante disso, o deputado do PL solicitou à PGR a abertura imediata de um inquérito para apurar a autoria e a disseminação do vídeo. Entre os pedidos específicos, incluem-se a identificação dos responsáveis pela produção e veiculação do material, a análise aprofundada do conteúdo à luz da legislação eleitoral vigente e a adoção de “medidas urgentes” para interromper a circulação do vídeo, caso sejam constatadas irregularidades. Além disso, Sanderson pleiteia o eventual encaminhamento do caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a responsabilização dos envolvidos, conforme a legislação aplicável.
A urgência nas medidas solicitadas é justificada pelo deputado em função da velocidade de propagação inerente ao ambiente digital. Sanderson ressalta que os “efeitos da desinformação” podem se tornar “irreversíveis em curto espaço de tempo” quando um conteúdo circula exponencialmente pela internet. Este argumento visa sensibilizar a PGR para a necessidade de uma ação célere e eficaz no combate à disseminação de informações que possam influenciar negativamente o cenário político e eleitoral, especialmente considerando o perfil de pré-candidato de Flávio Bolsonaro.
A Justificativa do Partido dos Trabalhadores para o Vídeo
O vídeo em questão, que motivou a representação do PL, foi inicialmente compartilhado com apoiadores do Partido dos Trabalhadores durante o 8º Congresso Nacional da legenda, realizado em Brasília. O PT, por sua vez, defende o conteúdo do vídeo ao destacar alguns pontos que, em sua visão, estabelecem um contexto para as acusações. O partido lembra que o Banco Master obteve sua autorização para operar no ano de 2019, período em que Jair Bolsonaro estava na presidência da República. Adicionalmente, a legenda aponta que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, principal figura do Banco Master, realizou uma doação de R$ 5 milhões para as campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do próprio Jair Bolsonaro. Para aprofundar o entendimento sobre o caso, é relevante consultar análises de fontes especializadas no setor financeiro, como as publicadas por Valor Econômico sobre o Banco Master.
Imagem: infomoney.com.br
A narrativa do vídeo, conforme reproduzida pelo próprio Partido dos Trabalhadores, busca traçar uma linha de conexão entre esses fatos. Ele questiona: “Vamos colocar as cartas na mesa. Daniel Vorcaro foi autorizado a operar o banco Master em 2019, pelo governo Bolsonaro. Fabiano Zettel, sócio do Master, entregou R$ 5 milhões para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. E o governador que tentou acobertar essas fraudes ajudou a comprar a mansão sabe de quem? Flávio Bolsonaro. Entendeu o esquema? O banco Master é bolsomaster.” Esta sequência de perguntas retóricas visa solidificar a percepção de um esquema de influência e corrupção, que teria beneficiado o senador Flávio Bolsonaro com a aquisição da mansão em Brasília, reforçando a expressão “bolsomaster” como sinônimo dessa suposta articulação.
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A denúncia do PL à PGR representa um novo capítulo na intensa disputa política que antecede as próximas eleições. A solicitação de investigação contra o PT, baseada na associação de Flávio Bolsonaro ao Banco Master através de um vídeo, coloca em pauta questões de veracidade, liberdade de expressão e a legislação eleitoral. Acompanhe mais notícias sobre política e as eleições de 2026 em nossa editoria para se manter informado sobre os desdobramentos deste e de outros casos relevantes.
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