PwC: Líderes globais esquecem o básico na adoção da IA

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O cenário empresarial global, outrora caracterizado por estratégias de expansão e alocação eficiente de capital, passou por uma transformação radical nos últimos anos. De acordo com Mohamed Kande, presidente global da PwC, a função de CEO evoluiu mais no último ano do que em todo o quarto de século anterior. Esta constatação foi compartilhada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, destacando um momento de profunda mudança para a liderança mundial.

Kande aponta para um novo mandato trimodal, uma exigência sem precedentes em 25 anos de sua carreira, que força os executivos a balancear três frentes simultaneamente: gerenciar os negócios atuais, transformá-los em tempo real e construir modelos de negócios totalmente novos para o futuro. Apesar dos desafios inerentes a essa complexidade, o líder da PwC mantém um otimismo resiliente, lembrando que períodos de incerteza – como guerras comerciais e revoluções industriais – sempre precederam novas eras de prosperidade. Ele enfatiza que, apesar de inquietante, o futuro não deve ser temido, e que os líderes estão aptos a se adaptar a este ambiente dinâmico.

PwC: Líderes globais esquecem o básico na adoção da IA

Um dos catalisadores mais significativos dessa era de mudança é a ascensão e rápida incorporação da Inteligência Artificial (IA) no mundo corporativo. A 29ª pesquisa global de CEOs da PwC, intitulada “Leading Through Uncertainty in the Age of AI”, revelou um notável descompasso entre a ambição e a realidade prática da adoção da IA. O levantamento, que colheu dados de 4.454 CEOs em 95 países e territórios, indica que a discussão sobre a conveniência de adotar a IA mudou drasticamente entre 2024 e 2025: a pergunta já não é “se” ou “deveríamos”, mas “como” acelerar essa implementação. Contudo, os resultados são ambíguos: enquanto todos se movem para adotar a tecnologia, apenas 10% a 12% das empresas relatam benefícios tangíveis em receita ou redução de custos. Um alarmante percentual de 56% dos entrevistados afirma não estar obtendo nenhum resultado positivo da IA, ecoando um estudo do MIT que apontou o fracasso de 95% dos projetos-piloto de IA generativa no setor corporativo.

Mohamed Kande atribui essa lacuna de resultados não a falhas inerentes à própria tecnologia, mas a uma deficiência na aplicação dos princípios fundamentais de gestão. Ele argumenta que a velocidade da evolução da IA levou muitos líderes a negligenciarem o “básico” necessário para qualquer implementação tecnológica bem-sucedida. Isso inclui a exigência de dados de alta qualidade, a otimização de processos de negócios e a instituição de uma governança robusta para a IA. A experiência da PwC demonstra que as organizações que de fato colhem os frutos da Inteligência Artificial são aquelas que investem na construção desses alicerces sólidos, reiterando que o sucesso depende primariamente de execução, boa gestão e liderança eficaz, e não apenas da tecnologia em si.

O ambiente de incerteza atual também gerou um paradoxo intrigante no panorama empresarial. Apesar de os CEOs demonstrarem uma percepção positiva em relação à economia global como um todo, apenas 30% deles expressam confiança em sua capacidade de expandir seus próprios negócios. Kande levanta questionamentos sobre as causas dessa hesitação, que podem variar de fatores geopolíticos e tarifas a desafios tecnológicos ou uma possível falta de agilidade na liderança. Ele observa que os últimos 15 anos foram marcados por um crescimento estável e modelos de negócios previsíveis, transformando o momento atual em um verdadeiro teste para as altas esferas de gestão, exigindo uma capacidade rápida de adaptação sem se perder nos detalhes táticos do cotidiano. A 29ª pesquisa da PwC corrobora essa apreensão, mostrando que somente três em cada dez CEOs estão confiantes no crescimento da receita nos próximos 12 meses, um declínio significativo em comparação com os 38% em 2025 e os 56% em 2022, atingindo o menor nível de confiança em cinco anos.

Mesmo diante dessa retração na confiança em suas perspectivas de receita a curto prazo, muitos líderes continuam a perseguir oportunidades de longo prazo, investindo na reinvenção de seus negócios por meio da Inteligência Artificial, da inovação e da expansão entre diferentes setores. Essa transformação no papel do CEO naturalmente se estende à força de trabalho, demandando uma reconfiguração completa das trajetórias de carreira. Kande alerta que o modelo tradicional de aprendizagem, no qual funcionários em início de carreira adquirem conhecimento executando tarefas rotineiras, está sendo desestruturado pela IA. A clássica “escada de carreira” que começava na base e ensinava através da prática precisará ser urgentemente redesenhada para cultivar o pensamento sistêmico, em detrimento da mera execução de tarefas, à medida que a IA assume cada vez mais estas últimas.

Para contextualizar o momento atual, Mohamed Kande incentiva os executivos a olhar para os últimos 50 a 100 anos da história, e não apenas para as últimas cinco décadas. Ele traça paralelos com os grandes booms de infraestrutura da era das ferrovias e o advento da internet, sugerindo que a onda de investimentos em tecnologia que observamos hoje pavimentará o caminho para a próxima era de inovação e desenvolvimento econômico. A pesquisa de CEOs da PwC, ao caracterizar a chegada de uma década de inovação e reconfiguração industrial, reforça essa visão de longo prazo, indicando que empresas que conseguem gerar uma parte maior de sua receita a partir de novos setores tendem a apresentar margens de lucro mais elevadas e maior otimismo dos CEOs quanto ao crescimento futuro de seus negócios.

Kande conclui com uma nota de otimismo, reiterando que o medo muitas vezes nasce da falta de compreensão. Ele aconselha os líderes a não temerem as profundas mudanças que estão em curso, mas a buscarem ativamente o conhecimento e a compreensão. Sua própria prática de dedicar tempo significativo ao aprendizado e a viagens visa justamente a decifrar o cenário atual e identificar novas abordagens. Ao ter testemunhado diversas transformações ao longo de sua carreira, Kande expressa sua confiança na IA e na capacidade de adaptação da liderança, encorajando todos a abraçar as mudanças como oportunidades para o crescimento e a inovação.

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As reflexões de Mohamed Kande, presidente global da PwC, oferecem um panorama claro sobre os desafios e as oportunidades da era da Inteligência Artificial. Ao destacar a importância de não esquecer os fundamentos da gestão e a necessidade de uma liderança adaptável, a PwC reitera que o sucesso na transformação digital reside mais na execução estratégica do que na mera adoção tecnológica. Para aprofundar-se em análises sobre o impacto da tecnologia e da gestão no cenário econômico atual, continue explorando nossa editoria de Análises.

Crédito da imagem: 2026 Fortune Media IP Limited

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