A Usiminas prevê impactos de custos no 2º trimestre de 2024, conforme declarações de seus executivos nesta sexta-feira, 24 de abril. A siderúrgica brasileira, negociada na bolsa como USIM5, antecipa um cenário de elevação de despesas em praticamente todos os seus insumos. Essa projeção decorre diretamente dos efeitos da escalada da guerra no Oriente Médio, que tem provocado instabilidade nos preços globais de petróleo, nos valores de fretes marítimos e no custo de diversas matérias-primas essenciais para a sua operação.
Em resposta a essa conjuntura de mercado desfavorável, a Usiminas já implementou reajustes em seus preços. No dia 1º de abril, a companhia elevou os valores do aço para distribuidores e para alguns contratos industriais, com aumentos que variaram entre 5% e 6%. Miguel Camejo, vice-presidente comercial da Usiminas, comunicou durante uma teleconferência com analistas que a empresa adotará uma postura mais rigorosa nos próximos meses em relação a futuras adequações de preços. O objetivo principal é salvaguardar as margens de lucro da siderúrgica diante do cenário de pressão nos custos, logo após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.
Usiminas prevê impactos de custos no 2º trimestre
Diego Garcia, vice-presidente financeiro da Usiminas, corroborou a perspectiva de encarecimento dos componentes produtivos, afirmando que “praticamente todos os insumos terão impacto no próximo trimestre”. Ele destacou, em particular, a observação de preços mais elevados para as placas adquiridas de terceiros, um componente crucial para certas fases da produção da companhia. Além disso, o executivo ressaltou o encarecimento do carvão e o impacto crescente dos fretes, que afetam de forma mais acentuada as operações do setor de mineração da empresa, elevando o custo de transporte de matérias-primas essenciais.
Análise do Desempenho no Primeiro Trimestre e Cenário de Mercado
Apesar das projeções de custos para o segundo trimestre, a Usiminas apresentou um robusto crescimento em seu lucro líquido no primeiro trimestre. O balanço revelou que o lucro foi mais do que duas vezes e meia superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Esse desempenho positivo foi impulsionado tanto por uma notável melhora operacional quanto por ganhos significativos advindos de créditos tributários. Estes créditos foram gerados pela valorização do real frente ao dólar, beneficiando as finanças da empresa.
O segmento de siderurgia teve um papel fundamental nesse resultado, compensando a performance mais modesta observada na divisão de mineração. Analistas da Eleven Financial, embora mantendo uma recomendação “neutra” para as ações da Usiminas em face do preço atual dos papéis, publicaram um relatório destacando o resultado positivo da companhia. Eles apontaram a melhora no segmento siderúrgico e o avanço dos fundamentos da empresa, que foram aliados às medidas de defesa comercial implementadas pelo governo federal, como fatores decisivos. Naquele dia, as ações da Usiminas exibiam uma alta de 7,2% por volta das 12h55, posicionando-se na ponta positiva do Ibovespa, que operava em queda de 0,46%.
Miguel Camejo também ofereceu uma análise sobre a resiliência dos mercados consumidores de aço no Brasil. Ele apontou o setor automotivo como o principal destaque de demanda no primeiro trimestre, mostrando um consumo vigoroso. Em contrapartida, o setor de máquinas agrícolas continuou a registrar uma queda no consumo de aço, refletindo um cenário de menor dinamismo para essa indústria específica. O executivo, entretanto, expressou otimismo quanto ao consumo aparente de aço no Brasil, projetando uma melhora para o segundo semestre. Essa expectativa baseia-se na provável redução do volume de importações, que cresceram 30% no primeiro trimestre em comparação com o trimestre anterior, fenômeno atribuído à antecipação de compras do exterior antes da adoção de possíveis medidas antidumping pelo governo. A expectativa é que o nível de inventários de aço nas cadeias consumidoras do país se regularize a partir do segundo semestre, conforme previu Camejo.
Imagem: infomoney.com.br
Estratégias de Mitigação e Perspectivas Operacionais
Diante do aumento dos custos de produção, especialmente impulsionado pela guerra e seus desdobramentos, a Usiminas está avaliando estratégias para otimizar suas operações e mitigar os impactos financeiros. Uma das medidas em estudo é a possibilidade de ampliar a produção de aço em sua usina localizada em Ipatinga, Minas Gerais. Em paralelo, a empresa poderá reduzir, no curto prazo, as atividades de laminação em sua unidade de Cubatão, São Paulo, que atualmente depende da aquisição de placas de aço de terceiros. Essa decisão estratégica visa diminuir a exposição da Usiminas aos altos custos de placas importadas, que têm sofrido forte pressão de preço devido à guerra no Irã, conforme mencionado pelo executivo.
Marcelo Chara, presidente-executivo da Usiminas, demonstrou confiança na atuação governamental. Ele acredita que o governo deverá finalizar em julho a investigação para a aplicação de tarifas antidumping sobre aços laminados a quente, o que pode favorecer a indústria nacional. Adicionalmente, o presidente-executivo informou que a Usiminas está próxima de concluir as obras do sistema de injeção de carvão pulverizado em alto forno na usina de Ipatinga, com previsão de término no segundo trimestre. Essa iniciativa representa um avanço tecnológico e operacional significativo, pois permitirá à companhia reduzir o consumo de matérias-primas a partir do terceiro trimestre, contribuindo para a diminuição dos custos de produção e, consequentemente, para a melhoria da competitividade da empresa no mercado. Os impactos geopolíticos nos mercados globais são um fator constante de atenção para a Usiminas e outras grandes indústrias, como detalhado por diversas análises econômicas, incluindo as publicadas no Valor Econômico.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em suma, a Usiminas enfrenta um cenário de elevação de custos no próximo trimestre, motivado por fatores externos, mas se arma com ajustes de preços, estratégias operacionais e otimismo em relação a medidas governamentais e a projetos internos de eficiência. Continue acompanhando as análises do cenário econômico e as notícias do setor siderúrgico em nossa editoria para ficar por dentro dos próximos passos da Usiminas e do mercado.
Crédito da imagem: Reuters