O Fórum Melhor RH Innovation, em sua segunda edição, deu início às suas atividades com uma série de painéis focados em repensar a inovação sob a ótica da gestão de pessoas e das lideranças. O evento, que se estendeu por dois dias online e gratuitos (1º e 2 de junho), culminará em uma versão presencial em São Paulo no dia 9 de junho, prometendo discussões aprofundadas sobre como construir um novo futuro para o universo corporativo.
Com a proposta de olhar criticamente para os movimentos de inovação, o fórum desafiou os participantes a refletirem sobre o verdadeiro significado de inovar. A iniciativa é um convite explícito para questionar práticas estabelecidas, repensar a automação e buscar caminhos onde a transformação não seja apenas um processo inevitável, mas sim consciente, estratégico e, acima de tudo, humano. As sessões online foram transmitidas gratuitamente pelo YouTube e pelas redes sociais da Melhor RH, facilitando o acesso a um público amplo.
Fórum Melhor RH Innovation Debate Futuro da Gestão de Pessoas
Marcio Cardial, diretor do Cecom e publisher das Plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, foi o responsável pela abertura oficial do evento online. Ele enfatizou que o Melhor RH Innovation nasceu da simples convicção de que as melhores práticas de mercado devem ser compartilhadas. Por isso, o fórum integra um ecossistema dedicado a gerar conteúdo relevante e a divulgar cases de sucesso, visando o aprimoramento contínuo dos profissionais que atuam nas empresas.
Direcionamentos Estratégicos na Inovação do RH
O primeiro painel do dia, intitulado “Aprender a pensar o novo – Clareza de direção e entendimento do presente como estratégia”, contou com a participação de Elizabeth Rodrigues, diretora de RH do Grupo Mendes; Kiko Campos, executivo de RH; e Tatiana Romero, diretora de RH e Sustentabilidade da Edenred. A discussão se concentrou na crescente aproximação entre o RH e o tema da inovação, com Elizabeth Rodrigues destacando o papel essencial do setor em direcionar a inovação para as áreas mais necessitadas da empresa. Tatiana Romero ressaltou que a inovação está intrinsecamente ligada à inteligência artificial e à gestão de pessoas, enfatizando que a transformação envolve cultura e que essa responsabilidade é coletiva, permeando toda a organização. Kiko Campos complementou, afirmando que a tecnologia, por si só, não é suficiente se as pessoas não estiverem habilitadas e a cultura da empresa não estiver preparada para inovar, reconhecendo a existência de diversos tipos de inovação. Elizabeth Rodrigues também pontuou que a inovação pode ser simples e não se resume apenas à IA, envolvendo diferentes níveis de maturidade e a busca por soluções contínuas para desafios e oportunidades.
A Escolha Pelo Desenvolvimento Humano Profundo
O segundo painel, “O futuro é de quem escolhe – Inovação está na qualidade e não velocidade”, trouxe à tona reflexões de Aline Carvalho, diretora de Gente, Gestão e Frota na Norsul, e Daniela Plesnik, educadora e Chief Happiness Officer (CHO). Aline Carvalho apresentou dados alarmantes, indicando que 70% das transformações digitais fracassam, sendo a cultura organizacional, e não a tecnologia, o principal obstáculo. Empresas que investem em cultura, por sua vez, têm cinco vezes mais chances de sucesso. Ela também citou um estudo do MIT (2025) que aponta a falta de impacto econômico dos pilotos de IA generativa nas organizações, atribuindo a falha a questões organizacionais. Notavelmente, 70% dos funcionários já utilizam IA no dia a dia por conta própria, mesmo que apenas 40% das empresas a possuam. Um estudo do Google com 180 times revelou que a segurança psicológica é crucial para a performance, e que a forma como o time trabalha, e não quem o compõe, faz a diferença, desmistificando a figura do “líder herói”. As competências humanas, como pensamento crítico, resiliência, liderança e pensamento criativo, foram destacadas como as mais valorizadas. Daniela Plesnik concordou que a tecnologia isolada não resolve, criticando o foco excessivo em soluções tecnológicas em detrimento da dimensão humana, que é a alma do negócio. O Fórum Econômico Mundial, ela lembrou, já indica habilidades predominantemente humanas, com forte ênfase no autoconhecimento, como cruciais para o presente. Para se aprofundar nas tendências que moldam o desenvolvimento de talentos e as estratégias de retenção, um tema de crescente relevância no cenário atual, é fundamental observar as tendências de RH.
Progresso Coletivo e o Cuidado com a Liderança
A discussão sobre “Progresso é cuidado coletivo – A mudança só é positiva quando inclui e impacta a todos” reuniu Gerson Ferreira, co-fundador e sócio da Vozco, Innoway; Leandro Figueira Neto, CEO da Axial; e Patrícia Rosado, VP de Pessoas e Cultura na Tupy. Figueira Neto apresentou um dado preocupante da Fuji Fórum, revelando o esgotamento profissional de 40% da liderança média, que enfrenta o burnout devido ao excesso de demandas. Patrícia Rosado atribuiu isso a um descompasso entre a velocidade humana e a tecnológica, gerando uma pressão intensa por habilidades e uso de ferramentas. Ela defendeu que uma cultura propícia à inovação é sinônimo de inclusão, e que, embora a tecnologia e a IA tragam produtividade, pouco se fala sobre a “produtividade ansiosa”, impulsionada pelo medo e pela insegurança. Gerson Ferreira, por sua vez, conectou a aversão à incerteza nas empresas com a natureza humana, destacando que as oportunidades frequentemente residem nas incertezas, e a dificuldade em lidar com elas gera estresse e impede a evolução.
Liderança em Tempos Incertos e a Adaptação Organizacional
A pauta das incertezas continuou no painel “Adaptação não é improvisação – As habilidades do futuro para liderar em tempos incertos”, com Fernanda Ramos, diretora de Recursos Humanos da Ford América do Sul; Sophia Ribeiro, diretora de RH na Nokia; e Tatiana Barrocal Porto, executiva de RH. Fernanda Ramos compartilhou o case da Ford, que, ao buscar uma transformação organizacional focada em tecnologia e digital, implementou uma jornada digital, atraindo talentos e capacitando colaboradores. A empresa promoveu a troca de conhecimentos com CEOs de outras companhias de tecnologia e instituiu a mentoria reversa para enriquecer a experiência de seus gestores. Tatiana Porto refletiu sobre como a IA transformará o trabalho, teoricamente liberando tempo, e questionou o que se esperará das pessoas nesse futuro próximo. Sophia Ribeiro abordou o descompasso entre as rápidas mudanças e a capacidade das organizações de se adaptarem, usando o exemplo da Nokia, que evoluiu de papel para 5G, mas ainda é associada a celulares. Ela destacou a busca da Nokia por transformar tudo em uma grande IA para gerar aprendizado e a necessidade de uma liderança adaptada a novas competências e uma cultura comercial renovada para o crescimento sustentável.
Imagem: melhorrh.com.br
Inovação Sem Assustar: Homem x Máquina
O painel “Como inovar sem assustar – Na disputa homem versus máquina, a polaridade afeta o otimismo” contou com Edna Rocha, VP de RH América do Sul na Sonepar; Marcelo Murilo da Silva, VP de Inovação na Benner; e Ricardo Burgos, VP de Pessoas & Segurança na Amil. Murilo da Silva trouxe dados que indicam que 75% dos profissionais já utilizam IA no trabalho, muitas vezes sem o conhecimento da empresa, sugerindo que a “rejeição” à tecnologia e inovação pode ser, na verdade, uma falta de alinhamento e narrativa clara das lideranças sobre o tema. Ele argumentou que a IA deveria ser usada para “podar” e fazer mais com a equipe existente, e não para “cortar” e reduzir o quadro de funcionários. Edna Rocha reforçou que a IA é uma ferramenta subutilizada e que o RH tem um papel crucial como agente de inovação, orientando e desmistificando a ideia de que a IA substituirá empregos, focando em sua contribuição para tarefas operacionais.
Manter a Tração: Da Decisão à Execução da Inovação
O último painel da segunda-feira, “Depois da decisão – Como manter a tração das iniciativas no dia a dia”, reuniu Douglas Almeida, executivo sênior de RH e conselheiro consultivo; Graziella Maso, diretora de Pessoas na Motiva; Mariana Ceripieri, diretora de Recursos Humanos na Siemens; e Paola Klee, CEO na YC-Your Career Future. Paola Klee enfatizou que as iniciativas de inovação nascem de uma ideia, mas sobrevivem na cultura, sendo, portanto, um processo de desenvolvimento cultural. Ela identificou três aspectos cruciais: a prontidão de pessoas e culturas para a execução da inovação e as competências necessárias; a resistência, especialmente na liderança, que exige acompanhamento de comprometimento e engajamento, pois a inovação pode ser vista como ameaça; e a visão de curtíssimo prazo, que frequentemente compromete projetos de inovação. Graziella Maso complementou, afirmando que muitas iniciativas perdem força pós-decisão devido à expectativa de que as mudanças ocorram apenas por direcionamento estratégico, subestimando o papel da liderança na execução em um ambiente competitivo. Mariana Ceripieri concluiu, destacando a necessidade de criar um ambiente de confiança e segurança para a inovação, onde um comitê de inovação esteja apto a remover obstáculos, mesmo que isso envolva conversas difíceis. Ela sublinhou a importância de cadência e rituais nos processos de inovação.
As valiosas trocas de experiências e informações detalhadas prosseguiram no dia seguinte, terça-feira, marcando o encerramento do Fórum Melhor RH Innovation online.
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O Fórum Melhor RH Innovation reafirmou a importância vital da dimensão humana no processo de transformação e inovação, evidenciando que a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas a cultura, a liderança e o desenvolvimento de habilidades humanas são os verdadeiros pilares para um futuro corporativo sustentável. Para continuar explorando análises aprofundadas sobre o panorama econômico e as tendências de mercado que impactam o setor de recursos humanos e a gestão de talentos, acompanhe as novidades em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Portal Melhor RH