Risco de Terrorismo nos EUA Aumenta em Complexidade, Diz CSIS

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Um novo relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) aponta que o risco de terrorismo nos EUA se tornou significativamente mais complexo e imprevisível. Anos de intensa pressão contraterrorista global resultaram no enfraquecimento de grupos extremistas armados, diminuindo os riscos de ataques diretos contra os Estados Unidos ou cidadãos americanos no exterior, mas não os eliminando. A avaliação destaca uma mudança do cenário de ameaças, onde não há mais um inimigo supremo e claro, mas sim uma proliferação de redes menos estruturadas e atores solitários capazes de gerar pânico.

Ao contrário do que se observou após os atentados de 11 de setembro ou no auge do califado do Estado Islâmico, a nação norte-americana não enfrenta hoje uma única ameaça dominante. Em vez disso, o país confronta uma gama diversificada de organizações formaais, ligações frouxas e indivíduos isolados que buscam atacar americanos e propagar o medo em solo dos EUA, ou ameaçar interesses estratégicos de segurança nacional, conforme detalhado pelos especialistas do CSIS.

Contrariando a crescente incerteza no panorama global, os Estados Unidos estão simultaneamente diminuindo seus investimentos em contraterrorismo. Cortes de orçamento em agências cruciais como o FBI e a CIA, juntamente com a politização de funções de inteligência e da própria definição de terrorismo, amplificam a probabilidade de alertas serem ignorados e de conspirações passarem despercebidas. Este cenário não prevê uma catástrofe inevitável, mas sim uma maior chance de surpresas e uma capacidade reduzida de prevenção. A gestão eficaz de recursos torna-se, assim, fundamental para navegar neste ambiente de ameaças.

Risco de Terrorismo nos EUA Aumenta em Complexidade, Diz CSIS

O estudo do CSIS inicia sua análise sublinhando a perda de poder de diversos grupos terroristas ao longo dos últimos anos, muitos dos quais foram degradados e não conseguiram se reerguer. Após décadas lidando com uma ameaça evidente de organizações salafistas-jihadistas inicialmente vinculadas à al-Qaeda e posteriormente ao Estado Islâmico, os EUA não identificam mais uma ameaça primária na qual concentrar todo o seu aparato de segurança. No entanto, o país lida atualmente com um conjunto de ameaças ativas, latentes e suprimidas em cenários internacionais, somado a um ambiente doméstico cada vez mais volátil.

Os atores isolados, que dominaram as discussões sobre contraterrorismo desde o colapso do Estado Islâmico, continuam presentes e ativos. Paralelamente, organizações terroristas com capacidade e recursos significativos persistem no fortalecimento em múltiplos continentes, e potências estatais patrocinadoras, como o Irã, mantêm-se como um fator de ameaça constante, alertam os autores do relatório.

Oriente Médio: Cenário de Ameaças Evoluindo

Ainda que o terrorismo no Oriente Médio represente uma ameaça menos direta ao território norte-americano do que em períodos anteriores, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã intensificou os motivos para o regime iraniano empregar táticas terroristas contra os interesses dos EUA. Simultaneamente, as ofensivas militares israelenses fragilizaram de forma notável grupos como o Hamas e o Hezbollah, desorganizando o que é conhecido como “Eixo de Resistência” do Irã.

Grupos como a al-Qaeda e o Estado Islâmico, apesar de sua degradação organizacional, persistem como ameaças “inspiracionais”, mantendo a capacidade de motivar ataques no Ocidente. A situação na Síria, com o novo governo unindo-se à Coalizão Global para Derrotar o ISIS, apresenta tanto oportunidades quanto riscos. A fragilidade governamental permitiu ao Estado Islâmico explorar a instabilidade recente, libertando combatentes detidos e expandindo sua influência. Além disso, a Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP), considerada por muito tempo enfraquecida, demonstra sinais de ressurgimento, ampliando capacidades, reconstruindo finanças e retomando a propaganda em inglês direcionada a audiências ocidentais. Terroristas continuam a ser uma ameaça significativa para os interesses dos EUA e parceiros de segurança no Oriente Médio, sendo o conflito com o Irã um grande fator de incerteza.

O CSIS detalha a avaliação de grupos terroristas internacionais atuantes no Oriente Médio. Os Houthis, no Iêmen, operam como uma entidade estatal com acesso a capacidades militares consideráveis, buscando assumir o poder nacional e exercer influência regional. Representam uma ameaça ativa à estabilidade e aos aliados dos EUA, com potencial latente a indivíduos e ativos. O Hezbollah, no Líbano, também com características estatais e capacidades militares rudimentares, visa o avanço político e militar nacional, alinhado aos interesses iranianos, configurando uma ameaça latente à estabilidade regional e até mesmo ao território dos EUA, dependendo das decisões iranianas. O Hamas, em Gaza e Cisjordânia, apesar de ter acesso a capacidades militares rudimentares, concentra-se no avanço do poder nacional e político, buscando controlar o movimento palestino e, a longo prazo, estabelecer um Estado que eliminaria Israel. Sua ameaça é indireta à estabilidade regional e aos aliados norte-americanos.

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Imagem: infomoney.com.br

Organizações como o Estado Islâmico (Núcleo), presente no Iraque e na Síria, e a Al Qaeda (Núcleo e AQAP), com o núcleo no Afeganistão/Paquistão e a AQAP no Iêmen, são descritas como insurgências enfraquecidas que, embora não controlem mais território, mantêm a capacidade de inspirar e facilitar ataques globalmente. Elas representam uma ameaça indireta, com intenções de conduzir ou inspirar ataques contra interesses dos EUA e seus aliados. A Província do Khorasan do Estado Islâmico, atuando no Afeganistão, Paquistão e Ásia Central, também é uma insurgência fraca, mas com capacidade de dirigir e facilitar ataques regionais e em outros continentes, configurando uma ameaça indireta.

África: A Maior Incerteza para o Contraterrorismo

A África emerge como a região de maior incerteza no que tange ao risco de terrorismo. Afiliados da al-Qaeda, como o al Shabaab na Somália e o Jamaat Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) no Mali, representam sérias ameaças à sobrevivência dos governos locais. O al Shabaab, em particular, é o único grupo africano conhecido por ter planejado um ataque de grande escala contra o território norte-americano. Simultaneamente, a Província do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) é possivelmente a mais robusta e capaz província do Estado Islâmico em todo o mundo. Embora esses grupos mantenham foco primário em objetivos locais, suas capacidades em expansão – incluindo avanços rápidos no uso de drones armados – e a crescente integração em redes jihadistas internacionais elevam o risco de uma futura mudança em direção a alvos relacionados aos interesses dos Estados Unidos.

A análise comparativa de grupos terroristas na África pelo CSIS revela um cenário complexo. O Al Shabaab, no Chifre da África, é uma entidade com acesso a capacidades militares rudimentares e intenção demonstrada de atacar alvos dos EUA, além de buscar criar um novo Estado transfronteiriço. Constitui uma ameaça ativa à estabilidade regional, aos aliados e ativos dos EUA, e uma ameaça latente à navegação e a indivíduos fora da região. O JNIM, no Sahel Ocidental, é uma forte insurgência que deslocou o Estado de territórios significativos, com intenção regional de criar um novo Estado e derrubar o governo do Mali, representando uma ameaça ativa à estabilidade e latente a indivíduos e ativos dos EUA fora da região.

O Estado Islâmico no Grande Saara (ISGS) e a Província do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), ambos no Sahel Ocidental e na região do Lago Chade, são insurgências de força moderada a forte, que também visam criar Estados transfronteiriços e podem dirigir ou inspirar ataques na Europa ou nos EUA, representando ameaças ativas à estabilidade regional e latentes a indivíduos e ativos norte-americanos. O Jama’atu Ahlis Sunnah Lidda’awati Wal-Jihad (JAS), na região do Lago Chade, é uma insurgência moderadamente forte focada em objetivos locais de poder e riqueza. Outros grupos como o Estado Islâmico na Somália, o Estado Islâmico na República Democrática do Congo (ISDRC/ADF) e o Estado Islâmico no Norte de Moçambique (ISMN) são insurgências mais fracas, mas mantêm a capacidade de inspirar e facilitar ataques, com intenções vagas de criar Estados transfronteiriços, representando ameaças ativas às populações locais e pequenas ameaças a indivíduos e ativos dos EUA fora de suas regiões imediatas.

Temas Estratégicos e Desafios Futuros

O estudo aponta para três temas cruciais que se manifestam em diversas regiões e demandam atenção. Primeiramente, o uso crescente de sistemas aéreos não tripulados (UASs, ou drones) e de inteligência artificial por grupos terroristas. As implicações completas dessas tecnologias no terrorismo e no contraterrorismo ainda são amplamente desconhecidas e precisam ser investigadas. Em segundo lugar, grupos que foram repetidamente considerados em declínio terminal demonstraram capacidade de ressurgir, evidenciando que a degradação não se equipara à derrota definitiva. Por fim, os autores enfatizam a importância crítica do engajamento diplomático. Conflitos por procuração e a fragilidade estatal em regiões como o Sahel, a República Democrática do Congo (RDC), o Iêmen e a Síria criam ambientes propícios para que terroristas operem e se reergam, ameaçando tanto atores locais quanto os interesses dos Estados Unidos.

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Em suma, a ameaça terrorista contra os Estados Unidos evoluiu de forma marcante, passando de um perigo centralizado para um espectro mais difuso e multifacetado, com desafios crescentes advindos da redução de investimentos em segurança e da complexidade tecnológica. Compreender essa dinâmica é crucial para a defesa nacional. Para aprofundar-se em outros temas relevantes para a segurança e política global, continue explorando nossa editoria de Política e mantenha-se informado sobre os desenvolvimentos que impactam o cenário internacional.

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