O segundo e último dia do 5º Fórum Debates sobre Comunicação com Colaboradores marcou discussões aprofundadas sobre temas cruciais para o universo corporativo, com foco na otimização das interações internas. Organizado pelo Cecom – Centro de Estudos da Comunicação e pelas Plataformas Negócios da Comunicação e Melhor RH, o evento abordou inclusão, diversidade, curadoria da informação, descentralização, engajamento, estratégia multicanal e humanização artificial, ressaltando a constante evolução da comunicação interna. Márcio Cardial, diretor do Cecom e publisher de ambas as plataformas, reiterou a mensagem central do primeiro dia: comunicar vai além de apenas transmitir mensagens, sendo fundamental para construir entendimento, alinhar equipes e fortalecer relações de confiança dentro das organizações.
O inicial painel, com o tema “Inclusão sem padrão – CI para construir ambiente seguro e diversidade de vozes na prática (e não só na fala)”, trouxe à tona o papel crucial da comunicação corporativa na promoção da verdadeira inclusão e diversidade. Participaram Carine Eifler de Araujo Buscarons, analista de Endomarketing na Atlas Eletrodomésticos; Karla Prado, diretora de ESG e Atendimento na Textual Comunicação e DiversaCom; e Fernando Careli, Chief Corporate Affairs and Engagement Officer do Grupo L’Oréal. Karla Prado destacou a metodologia de 30 anos da Textual, focada em intencionalidade, integração e inteligência de dados, enfatizando sua interconexão. Fernando Careli compartilhou o compromisso da L’Oréal com a diversidade, mencionando uma taxa de emprego LGBT de 14%, significativamente acima da média de mercado de 7%. Ele enfatizou que diversidade, equidade e inclusão são intrínsecas ao DNA da empresa, promovendo um ambiente seguro e diálogo contínuo através de diversas redes de afinidades que interagem diretamente com o CEO, o que é vital para desenvolver produtos adaptados ao público brasileiro. Carine Eifler da Atlas Eletrodomésticos reforçou a ideia de comunicação como conexão, crucial para mensagens assertivas em diferentes regiões e culturas, exemplificando com a iniciativa “Mundo Especialista” no Instagram para conectar colaboradores e até públicos externos.
5º Fórum Debates sobre Comunicação com Colaboradores
A subsequente discussão, intitulada “Filtro invisível – RH e CI na curadoria do que nunca deve ser comunicado e por quê”, explorou os desafios da sobrecarga de informações nas organizações, a chamada “infoxicação”. Anne Maezuka, gerente de Comunicação no Grupo Marista; Lílian Rossetto, gerente geral de Comunicação Empresarial na Transpetro; e Marcio Cavalieri, sócio-fundador e Co-CEO do Grupo RPMA, conduziram este painel. Marcio Cavalieri salientou que, embora Comunicação e RH busquem entregar informações, a eficácia das ferramentas varia por empresa e região. Ele identificou a saturação informacional, especialmente via redes sociais, como o principal desafio contemporâneo na comunicação interna. Cavalieri definiu o “filtro invisível” como a aplicação de critérios à comunicação, citando um estudo da Harvard Business School que aponta o impacto negativo do excesso de informação na produtividade e na motivação. Anne Maezuka, do Grupo Marista, reforçou essa preocupação, declarando que “transparência não é velocidade”, e Lílian Rossetto, da Transpetro, descreveu a complexidade de comunicar com mais de 10.000 pessoas, incluindo prestadores de serviços em todo o país, defendendo uma “comunicação sensível” em um ambiente de alta segurança, que transite de uma abordagem orientada para o cliente para uma orientada para o público impactado. A gestão eficaz da sobrecarga de informação é tema de discussão constante em publicações renomadas como a Harvard Business Review.
O painel “Virada de mesa – O que fazer quando o colaborador sabe mais que a empresa” confrontou a rápida disseminação de informações, que muitas vezes supera os canais corporativos. Flávia Albuquerque, gerência executiva de Comunicação na CCEE; Filipe Xavier, Head de Comunicação, ESG e Branding na GE Healthcare; e Rodrigo Cogo, gerente de Projetos Integrados e de Engajamento de Comunidades da ABERJE e Diretor do Sinapse Curadoria para Decisões Inteligentes, discutiram estratégias para manter a credibilidade. Rodrigo Cogo abriu o debate observando que as empresas perdem terreno pela falta de agilidade, o que alimenta boatos. Flávia Albuquerque enfatizou que, com as redes sociais e a inteligência artificial acelerando o fluxo de informações, a perda crucial não é apenas de tempo, mas de comunicar sem contexto. Ela afirmou que um papel vital da comunicação interna é fornecer contexto e cenário, fortalecendo assim a credibilidade. Filipe Xavier compartilhou sua experiência de 10 anos na GE Healthcare, vendo a informalidade e a “rádio peão” como elementos potencialmente positivos. Ele detalhou uma estrutura de “antenas”, composta por pessoas de confiança que o informam sobre informações circulantes e reações, estabelecendo um ciclo de feedback bidirecional.
A discussão então se voltou para o impacto direto de uma comunicação interna eficaz no engajamento, retenção e turnover de funcionários, no painel “Quem fica, confia – O impacto da comunicação interna em engajamento, retenção e turnover”. Nayara do Carmo, gerente de Comunicação Interna na PepsiCo Brasil; Nêmora Reche, diretora de Comunicação Corporativa Brasil na Syngenta; e Daniel Costa, diretor de Comunicação Corporativa na BWG, contribuíram para esta sessão. Daniel Costa destacou a alta taxa de rotatividade do Brasil, com média de 56%, onde a Geração Z permanece cerca de nove meses nas empresas e outras gerações, 14 meses. Ele citou pesquisas internacionais que indicam que empresas com comunicação interna eficaz podem ter uma taxa de turnover até 50% inferior, enfatizando que substituir funcionários pode ser caro, superando seis salários. Costa concluiu com a poderosa afirmação: “Muito mais importante do que uma empresa comunicar aquilo que faz é fazer aquilo que comunica.” Nêmora Reche abordou a importância de uma vasta rede de stakeholders internos para o sucesso da comunicação, especialmente em um setor competitivo como o agrícola, onde a Syngenta adota uma estratégia de “botina no campo”, interagindo diretamente com os agricultores. Nayara do Carmo da PepsiCo enfatizou a necessidade de comunicação personalizada, reconhecendo que nem todos os funcionários podem ser tratados da mesma forma, mas promovendo relações de longo prazo e confiança através de uma comunicação transparente que flui da alta liderança até a linha de frente.
Abordando as complexidades das estratégias multicanal, o painel “Cadê o maestro? – Estratégia multicanal não é sobre quantidade, mas identidade” questionou se mais canais realmente equivalem a uma comunicação superior. Hugo Godinho, CEO da Dialog; José Luis Ovando, sócio-diretor de Estratégia e Atendimento na Supera Comunicação; e Rogério Louro, diretor de Comunicação Corporativa e RP na Nissan do Brasil, ofereceram insights. José Luis Ovando iniciou a discussão desafiando a premissa comum de que multicanalidade significa apenas expandir pontos de contato. Ele utilizou apropriadamente a metáfora do painel, “Cadê o maestro?”, para realçar a ausência de um condutor unificador nas estratégias de comunicação interna. Ovando frisou que o verdadeiro segredo não reside na quantidade de canais, mas em possuir uma “arquitetura que organiza tudo isso”. Hugo Godinho concordou, afirmando que “orquestrar é a palavra-chave”. Ele apontou que o mercado demanda uma comunicação organizada, e não fragmentada, enfatizando a importância de selecionar o “canal certo, para a pessoa certa, no momento certo”. Rogério Louro, com base em seus 15 anos de jornalismo em redação, sublinhou a vasta dimensão da comunicação interna dentro de uma empresa, que lida simultaneamente com diversos públicos, demandas e linguagens.
Imagem: melhorrh.com.br
O penúltimo painel, “Tem robô na linha – Humanização ou resultado, o que conta mais para o colaborador?”, mergulhou na interseção em evolução entre tecnologia, especialmente a inteligência artificial, e a humanização na comunicação interna. Rodolfo Araújo, vice-presidente de Estratégia e Análise do The Weber Shandwick Collective e Managing Director América Latina da United Minds; Fabiano Rangel, diretor Administrativo e Financeiro do Grupo Urca Energia; e Gabriela Valentim, especialista de CI na Eucatex, compartilharam suas perspectivas. Fabiano Rangel observou a facilidade atual de produção de conteúdo e segmentação de público com a tecnologia, mas questionou se esses esforços realmente geram os resultados desejados e onde é preciso evoluir. Gabriela Valentim da Eucatex destacou que, apesar da abundância de ferramentas para geração de textos, vídeos e campanhas, o desafio persistente é fazer com que os funcionários parem, prestem atenção e se conectem com a mensagem. Ela afirmou que a multiplicidade de canais não é o problema, mas sim entender o significado por trás da mensagem. Rodolfo Araújo sublinhou o “fator humano” crucial que nunca deve ser negligenciado. Ele descreveu as organizações em constante navegação por mudanças complexas e simultâneas, especialmente com a ascensão da inteligência artificial, exigindo robusta capacidade organizacional. Araújo alertou contra “matar o mensageiro” ou relegar a comunicação a uma mera função, enfatizando sua importância estratégica dentro de uma empresa.
O painel final, “Quem, quando e por quê? – Como estruturar governança na CI sem perder agilidade e autoridade”, focou no estabelecimento de uma governança eficaz na comunicação interna sem sacrificar agilidade e autoridade. Estela Gurgel, gerente executiva de Comunicação Interna na Roche; Danielle Toscano, coordenadora de Comunicação Interna no Senac RJ; Renato Delmanto, executivo de Comunicação e Relações Institucionais; e Michele Dantas, coordenadora de Comunicação na Eldorado Brasil Celulose, participaram. Michele Dantas resumiu concisamente a governança não como burocracia, mas como “clareza”. Ela explicou que a clareza permite entender *quem* comunicar, *qual* canal usar e *quando*, fortalecendo assim a comunicação e apoiando os objetivos de negócio. Estela Gurgel comparou a missão da Roche em saúde com o propósito da comunicação, vendo seu papel como consultoria que oferece direção e conhecimento para toda a companhia, suas diversas áreas e a direção. Renato Delmanto enfatizou a necessidade de uma parceria sólida entre Comunicação Interna e RH, defendendo a definição clara de suas respectivas responsabilidades para determinar quem pode comunicar o quê em toda a organização. Danielle Toscano destacou a importância de sensibilizar as lideranças sobre questões de comunicação interna. Ela mencionou que pesquisas internas no Senac RJ alertaram sobre a sobrecarga de informações, levando a uma estratégia de entregar todas as notícias via newsletter semanal e intranet, com monitoramento contínuo.
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Em suma, o segundo dia do Fórum “Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores” delineou um panorama abrangente da comunicação interna moderna, desde a promoção da diversidade até a gestão estratégica da informação em um ambiente cada vez mais digitalizado. As discussões enfatizaram a necessidade de abordagens humanizadas, governança clara e uma visão estratégica para garantir que a comunicação não apenas informe, mas também engaje, retenha talentos e construa confiança. Continue acompanhando nossas análises para mais insights sobre o universo corporativo e as tendências que moldam o futuro do trabalho.
Crédito da imagem: Portal Melhor RH