Inovação no RH: Fórum Discute IA, Liderança e Futuro do Trabalho

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O cenário contemporâneo exige que a inovação no RH seja um pilar central para as estratégias corporativas. Essa temática foi o foco do 2º Fórum Melhor RH Innovation, um evento presencial que aconteceu em 9 de maio, no Teatro Moise Safra, em São Paulo. O encontro, que antecedeu o Prêmio Melhor RH Innovation, reuniu especialistas em três painéis de discussão para explorar os rumos da gestão de pessoas em um mundo em constante transformação.

Profissionais renomados do setor de Recursos Humanos e inovação debateram os impactos da inteligência artificial e da automação, a adaptação a novas realidades e a importância da liderança visionária. O evento destacou a urgência de fortalecer uma visão de futuro nas equipes e preparar as organizações para os desafios e oportunidades que emergem da rápida evolução tecnológica e das dinâmicas sociais.

Inovação no RH: Fórum Discute IA, Liderança e Futuro do Trabalho

Márcio Cardial, diretor do Cecom (Centro de Estudos da Comunicação) e das Plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, enfatizou a crescente complexidade das pautas do RH. Cardial salientou que temas como tecnologia, inteligência artificial, produtividade, modelos de liderança, transformação cultural, novas competências e a própria cultura do trabalho, anteriormente secundários, agora são fundamentais nas decisões que moldam o presente e o futuro das empresas. A participação do RH nessas discussões é, portanto, indispensável.

O Novo Mandato do RH: IA e Automação

O primeiro painel, intitulado “O novo mandato do RH”, abordou como a inteligência artificial (IA) e a automação estão redefinindo o significado do trabalho. Marcelo Murilo da Silva, vice-presidente de Inovação na Benner, alertou sobre a inevitável redução de postos de trabalho em algumas áreas devido à IA e destacou a necessidade de preparar os times para essa transição. Segundo ele, a IA também transformará a abordagem dos negócios, demandando profissionais mais atentos à análise de cenários, dotados de criatividade e intuição – habilidades distintas das tradicionalmente valorizadas.

Raquel Cardoso, vice-presidente de Pessoas na Motiva, complementou a discussão, afirmando que o RH está cada vez mais assumindo o papel de “arquiteto” das transformações que envolvem a tríade humanos, tecnologia e comportamento, tendo a cultura organizacional como epicentro. Ela defendeu a complementaridade entre humanos e máquinas, em vez da competição, e ressaltou a demanda por novas competências e capacidades. A Motiva, por exemplo, está implementando um vasto programa interno de treinamento para capacitar seus colaboradores. Uma pesquisa interna da empresa revelou que 60% do público impactado pela tecnologia é feminino, e dessas, 40% são mães de dependentes menores de 18 anos, evidenciando a responsabilidade social no processo de transição. As lideranças são ativamente envolvidas, escutando as necessidades, compreendendo os processos e propondo desafios, com o suporte estratégico do RH.

Tatiana Romero, diretora de RH e Sustentabilidade da Edenred, salientou o autoconhecimento como um fator crucial na trajetória profissional, uma provocação intensificada pela IA. Ela destacou a importância de um “letramento” digital para as equipes. A Edenred conduz esse treinamento por meio de uma equipe interna multidisciplinar, envolvendo funcionários de diferentes níveis hierárquicos para disseminar o conhecimento. Tatiana revelou que, por enquanto, não há planos de demissão em decorrência da IA; o foco está na readequação e recolocação interna de posições. Um exemplo citado foi o de mecânicos em uma unidade do Sul do país que estão sendo requalificados para atuar no suporte remoto a motoristas, demonstrando como a IA está gerando novas atividades e demandas.

Quem é Você no Movimento do Novo?

O segundo painel, intitulado “Quem é você no movimento do novo?”, explorou o impacto de como diferentes perfis reagem à mudança. Kiko Campos, executivo de RH, observou que elementos como ceticismo, resistência, busca por evidências, análise de dados, liderança e segurança psicológica, embora muitas vezes fora do radar da inovação, são cruciais para seu sucesso. Segundo ele, esses temas, apesar de aparentemente simples, são críticos para impulsionar a inovação.

Viviane Gaspari, CHRO e head de Recursos Humanos no Grupo Carrefour Brasil, abordou o ceticismo e a resistência às mudanças organizacionais. Ela explicou que a resistência geralmente surge do que representa risco para o indivíduo. Em um contexto de IA e automação, a pergunta “onde me encaixo nisso?” é comum. O RH desempenha um papel vital em ressignificar esses medos, mostrando ao colaborador sua relevância, independentemente do novo papel que venha a assumir.

Edna Rocha, diretora de Recursos Humanos na Sonepar, ressaltou que o ser humano, por natureza, busca segurança, não desafios. A solução para a transição, segundo ela, reside na comunicação transparente, tratando os colaboradores como adultos. Trabalhar a comunicação e a informação é essencial para que as pessoas compreendam o que está ocorrendo e consigam se posicionar diante das transformações.

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Imagem: melhorrh.com.br

Mariana Ceripieri, diretora de Recursos Humanos na Siemens, complementou a discussão focando no papel do líder como articulador da transformação e da estratégia organizacional. Ela descreveu a intensidade do desafio em articular essas mudanças para os líderes, explicando o significado das transformações e como elas afetarão cada função. A competitividade do mercado, segundo Mariana, será o principal fator a ditar o ritmo das mudanças internas.

Para Que o Líder Possa Ver Além

O terceiro e último painel, “Para que o líder possa ver além”, focou na importância de fortalecer a visão de futuro como uma habilidade nas equipes de liderança. Douglas Almeida, sócio proprietário na Aspyra Mentoria, iniciou o painel destacando que os líderes são os “clientes” do RH. Ele apontou o excesso de rotina e o risco de ficarem presos ao operacional intenso, o que pode levar a uma “miopia estratégica”, limitando o foco ao curto prazo.

Vanessa Salles, superintendente de Recursos Humanos na Livelo, aconselhou as lideranças a aplicar intencionalidade em suas ações. “Podemos construir o futuro que desejamos, desde que entreguemos os resultados de curto prazo”, afirmou. Ela enfatizou a necessidade de acompanhar resultados e exigir entregas consistentes.

Mariana Malagutti, diretora de RH da Cia. Tradicional de Comércio, trouxe a perspectiva do segmento de restaurantes, onde as equipes estão altamente focadas no processo diário. Para ela, a inovação está intrinsecamente ligada à relação com o cliente. Os treinamentos da empresa abordam a jornada de atendimento, buscando ir além para surpreender os clientes. Inspirados no modelo Disney, o lema é: “o que é surpreendente para você é sucesso para mim”, demonstrando que a inovação não se restringe ao digital, mas reside na qualidade da interação humana. Para aprofundar seu entendimento sobre as mudanças no mercado de trabalho impulsionadas pela tecnologia, consulte este artigo sobre Inteligência Artificial.

Carolina Levy, diretora de Remuneração e Projetos na Cogna Educação, abordou a construção de cenários estratégicos. Em sua empresa, o planejamento estratégico tem duas vertentes: inicia com uma discussão restrita da alta liderança e, posteriormente, desdobra-se para todos os níveis, envolvendo-os na criação de iniciativas para alcançar os objetivos de longo prazo. A Cogna valoriza a cultura de inovação, entendendo que entregar resultados de forma empreendedora é, por si só, inovar.

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O 2º Fórum Melhor RH Innovation reforçou a centralidade da inovação no RH, destacando a necessidade de líderes visionários e equipes preparadas para a era da inteligência artificial. Os debates apontaram para um futuro do trabalho onde a adaptação, o desenvolvimento de novas competências e uma cultura de comunicação transparente são essenciais. Para continuar explorando as tendências do mercado de trabalho e as estratégias de gestão de pessoas, mantenha-se conectado às análises de nossa editoria.

Crédito da imagem: Márcio Cardial

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