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O mercado financeiro brasileiro encerrou a última segunda-feira, 13 de julho, com uma notável elevação nas taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Os rendimentos registraram altas firmes, superando 15 pontos-base em diversos vencimentos. Este movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores externos e internos, que colocaram em alerta os investidores e analistas econômicos. A tensão crescente no Oriente Médio, decorrente de ações militares e retóricas entre os Estados Unidos e o Irã, juntamente com o dinâmico noticiário político nacional, foram os catalisadores para a valorização das taxas DI, seguindo a tendência de avanço dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos no exterior.
As negociações refletiram a preocupação dos participantes do mercado com os desdobramentos geopolíticos e suas implicações para a economia global e brasileira. O anúncio do então presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o restabelecimento do bloqueio naval contra o Irã, adicionou uma camada de incerteza que reverberou globalmente, elevando o custo de empréstimos e investimentos. Paralelamente, no cenário doméstico, novas pesquisas eleitorais e decisões judiciais impactaram diretamente a percepção de risco e estabilidade política, contribuindo para a pressão ascendente sobre a curva de juros no Brasil.
Taxas DI Sobem com Tensão no Oriente Médio e Cenário Político
No fechamento do dia, a taxa do DI com vencimento para janeiro de 2028 foi cotada a 14,015%, o que representa um aumento de 16 pontos-base em relação ao ajuste do pregão anterior, que estava em 13,857%. Já para o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2035, a taxa alcançou 14,39%, registrando uma elevação de 13 pontos-base frente aos 14,258% da sessão anterior. Estes dados evidenciam uma reprecificação dos ativos de renda fixa, com os investidores demandando maior retorno para compensar os riscos percebidos diante de um cenário de maior instabilidade.
A escalada das hostilidades no Oriente Médio foi um dos principais drivers dessa movimentação. Durante o fim de semana e na própria segunda-feira, forças dos Estados Unidos e do Irã protagonizaram uma série de ataques, utilizando mísseis e drones. Teerã, por sua vez, informou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma via marítima de vital importância estratégica, responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do volume total de petróleo e gás natural comercializados em todo o mundo. A interrupção ou restrição da navegação nesse estreito gera temores imediatos de instabilidade no suprimento global de energia, impactando diretamente os preços das commodities e, consequentemente, as expectativas inflacionárias.
A declaração do então presidente Donald Trump na segunda-feira confirmou a reimposição do bloqueio naval ao Irã. Adicionalmente, Trump anunciou que os Estados Unidos seriam “reembolsados em 20% de toda a carga transportada” pelo Estreito de Ormuz. Essa medida, segundo ele, seria uma compensação pelos custos necessários para garantir a segurança da região, classificada como “tão instável do mundo”. Essas ações e declarações contribuíram para o avanço dos rendimentos dos Treasuries americanos, que servem como referência global para decisões de investimento, e impulsionaram o preço do petróleo Brent, que retornou a patamares acima dos US$80 por barril durante a sessão, refletindo os receios inflacionários gerados pela crise entre EUA e Irã e a probabilidade de escassez.
No cenário doméstico brasileiro, as tensões globais foram amplificadas por acontecimentos políticos recentes, que também exerceram pressão sobre a curva de juros. Após a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) deixar a equipe que auxiliava Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na formulação de seu plano de governo, uma decisão judicial de grande impacto foi proferida na mesma segunda-feira. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão, por um período de 90 dias, das visitas de Flávio Bolsonaro ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena em prisão domiciliar.
A decisão do ministro Moraes veio na esteira da divulgação, por Flávio Bolsonaro em suas redes sociais durante o fim de semana, de uma carta na qual Jair Bolsonaro designava o filho mais velho como seu porta-voz na corrida eleitoral, exortando a união e a superação de possíveis divergências entre aliados. Em sua fundamentação, o ministro do STF recordou que a concessão da prisão domiciliar a Bolsonaro, em março, estava condicionada à expressa proibição de utilização de redes sociais, seja diretamente pelo ex-presidente ou por intermédio de terceiros. Esta violação das condições impostas levou à restrição das visitas, gerando um novo capítulo na arena política e intensificando a volatilidade no mercado.
Um operador de mercado, em declaração à Reuters, destacou que o panorama externo, marcado pelas incertezas no Oriente Médio, somado aos desdobramentos envolvendo a saída de Damares e a decisão judicial contra Flávio Bolsonaro, forneceu um sólido suporte à valorização da curva de juros no Brasil. A percepção do mercado é que o desgaste político de Flávio, ainda visto por muitos como o principal expoente da oposição ao atual governo, aumenta as probabilidades de um desfecho eleitoral favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta visão é relevante, pois o mercado frequentemente associa a vitória de Lula a um maior ceticismo em relação ao equilíbrio fiscal do país, resultando em prêmios de risco mais elevados nas taxas de juros.
No mesmo dia, uma nova pesquisa eleitoral conduzida pelo BTG/Nexus revelou um cenário de empate técnico na disputa pelo Palácio do Planalto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em simulações de segundo turno, Lula obteve 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 44%. A pesquisa apresentou uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, indicando uma disputa acirrada e a manutenção da incerteza sobre o futuro político do país, um fator que intrinsecamente influencia a precificação dos ativos financeiros e a direção das taxas DI.
Imagem: infomoney.com.br
No pico da sessão regular, registrado às 16h09, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a marcar 14,395%, um aumento de 14 pontos-base. Estes movimentos reforçam a sensibilidade do mercado brasileiro a eventos tanto globais quanto domésticos, especialmente aqueles que afetam a percepção de risco fiscal e político. Os investidores permanecem atentos aos desdobramentos no Oriente Médio e aos dados econômicos globais, como o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano, além dos depoimentos de figuras como Kevin Warsh, ex-membro do Federal Reserve, que podem oferecer novas pistas sobre a direção da política monetária nos EUA, com impactos diretos sobre as decisões dos bancos centrais em mercados emergentes como o Brasil.
As projeções dos economistas do mercado, conforme o boletim Focus divulgado mais cedo, continuam a indicar um cenário de cautela para a política monetária. A mediana das projeções para a taxa básica Selic no final de 2026 permaneceu em 14,00%. Essa projeção sugere a expectativa de mais um corte de 25 pontos-base na taxa básica até o final do ano, atualmente fixada em 14,25%. Para o encerramento de 2027, a estimativa da Selic manteve-se em 12,00%, consolidando as expectativas de uma política monetária ainda restritiva no médio prazo, refletindo preocupações com a inflação e a necessidade de ancorar as expectativas.
No que tange à inflação, o Focus apontou uma ligeira revisão para baixo nas projeções para o fim deste ano, que cedeu de 5,30% para 5,16%. Contudo, para o encerramento de 2027, a projeção da inflação teve uma leve elevação, passando de 4,18% para 4,20%. Essa dinâmica reflete a complexidade do ambiente inflacionário, onde pressões externas, como a alta do petróleo, podem coexistir com fatores internos que influenciam os preços, exigindo vigilância constante das autoridades monetárias.
A precificação das opções de Copom negociadas na B3 na última quinta-feira – a atualização mais recente disponível – indicava uma probabilidade de 78% de corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião de agosto. Esse cenário contrasta fortemente com as probabilidades observadas três semanas antes, em 18 de junho, quando o quadro era o inverso: apenas 28,5% de chance para um corte de 25 pontos-base e 66% para a manutenção da taxa básica em 14,25%. A rápida mudança nas expectativas reflete a volatilidade e a capacidade do mercado de rapidamente incorporar novas informações e reajustar suas apostas sobre a direção da política monetária, influenciando diretamente as taxas dos DIs.
Internacionalmente, às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos, que serve como um balizador global crucial para o custo do dinheiro, registrava alta de 4 pontos-base, atingindo 4,614%. Este avanço nos rendimentos dos títulos do governo americano sinaliza uma maior demanda por prêmio de risco pelos investidores, influenciando diretamente o custo de capital e as condições de financiamento em escala global. Para mais informações sobre o impacto das tensões geopolíticas nos mercados financeiros, você pode consultar fontes renomadas que acompanham de perto as flutuações e tendências globais, como a Reuters.
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Em suma, a movimentação do mercado de DIs na segunda-feira foi um reflexo multifacetado das incertezas geopolíticas no Oriente Médio e dos desdobramentos políticos domésticos. A intersecção desses fatores criou um ambiente de maior aversão ao risco, resultando na elevação das taxas e na reavaliação das perspectivas econômicas. Para continuar acompanhando as análises e notícias sobre o cenário político e econômico brasileiro, clique aqui e explore nossa editoria de Política, mantendo-se sempre informado sobre os acontecimentos que moldam o futuro do país.
Crédito da imagem: Reuters